10 fatos importantes sobre a doença de Parkinson

17/01/2019
Por Erich Fonoff

A doença de Parkinson atinge 1% da população mundial acima de 65 anos. Atinge também jovens, por volta dos 40 anos. É conhecida como a doença que causa tremores. Mas este é apenas um entre os diversos sintomas motores e os não-motores. A levodopa é a medicação mais utilizada para controlar a doença. No entanto, Parkinson exige um tratamento feito sob medida para cada paciente. A depressão, que afeta quase metade dos parkinsonianos, muitas vezes é vista como uma dificuldade para lidar com esta doença neurológica crônica e progressiva. Porém, a depressão é muito mais que isso. Ela é um dos sintomas. Notou como a doença de Parkinson é complexa, ampla e ainda cheia de mistérios? Leia a seguir outros fatos essenciais para compreendê-la.

  1. A doença de Parkinson não é ‘coisa de velho’.
    Este é, na verdade, um dos mitos do Parkinson. A maioria dos casos surge em pessoas acima de 65 anos, por isso a doença está sempre associada à terceira idade. Porém, 10% dos parkinsonianos apresentam o Parkinson de Início Precoce, quando ela se instala antes dos 50 anos.
  2. A causa da doença de Parkinson é desconhecida.
    A doença de Parkinson está associada à redução da dopamina, um neurotransmissor que atua no envio de mensagens para as partes do cérebro que controlam os movimentos. Os cientistas ainda não sabem o que causa a diminuição da dopamina. A principal aposta é a idade. Embora ela atinja pessoas jovens também, o risco na terceira idade é maior do que o risco da população geral.
  3. O diagnóstico da doença de Parkinson é um desafio.
    Como não existe um único exame para detectar a doença de Parkinson, o seu diagnóstico pode ser difícil até mesmo para os médicos. Muitos pacientes passam meses e até anos sem receber o diagnóstico certo, e consequentemente, o tratamento adequado. Diante da suspeita, o paciente deve passar por uma avaliação clínica, quando quatro sintomas são procurados: tremores, rigidez dos membros, lentidão e diminuição dos movimentos e instabilidade na postura. Dois destes sintomas já são suficientes para dar o alerta. Se necessário, o médico pode indicar a levodopa por um tempo. Quando os sintomas melhoram com esta medicação, o diagnóstico é considerado certo.
  4. A depressão afeta metade dos pacientes de Parkinson.
    Quadros de depressão e ansiedade são extremamente comuns em pacientes com doenças crônicas. Em parkinsonianos, transtornos mentais são ainda mais recorrentes. Estima-se que a depressão, isoladamente, é a alteração não-motora mais comum na doença de Parkinson, presente em quase 50% dos pacientes. Quando não tratada, ela chega a intensificar os outros sintomas da doença, além de comprometer a capacidade cognitiva e, consequentemente, piorar a qualidade de vida. É importante ressaltar que a depressão é um sintoma do Parkinson e uma doença, não uma fraqueza da pessoa.
  5. O tratamento de Parkinson é feito sob medida.
    A maioria das medicações usadas no Parkinson tem o objetivo de reproduzir os efeitos da dopamina no cérebro e, assim, reduzir o tremor e a rigidez muscular e melhorar a coordenação dos movimentos. No início do tratamento, elas apresentam ótimos resultados e conseguem controlar os sintomas por anos. Com o passar do tempo, no entanto, é necessário ajustar a medicação e até associar novas drogas para manter os mesmos efeitos. Mais do que isso, é preciso considerar a evolução e a intensidade da doença em cada paciente. O que vale para um não necessariamente funciona para outro.
  6. Atividade física é fundamental no tratamento da doença de Parkinson.
    Estudos científicos mostram que os parkinsonianos que praticam algum exercício regularmente conseguem realizar as atividades normais do dia-a-dia por mais tempo e reduzir a velocidade da progressão dos sintomas, como rigidez muscular e falta de flexibilidade. A atividade escolhida deve agir em três frentes: fortalecer o sistema cardiovascular e respiratório, aumentar a flexibilidade e fortalecer os músculos. De acordo com o neurocirurgião Erich Fonoff, o exercício também ajuda a reduzir a fadiga e o cansaço crônicos.
  7. A doença de Parkinson não se resume a tremores.
    Os sintomas motores, como tremores, rigidez muscular, falta de equilíbrio e lentidão para se locomover são as características mais visíveis da doença. Porém, há vários outros sintomas menos conhecidos, mas tão comprometedores quanto. Parkinson atinge os músculos responsáveis pela fala e deglutição. Os parkinsonianos podem ter dificuldade para engolir e redução do volume da voz. Pacientes também relatam dores no corpo, falta de concentração, fadiga, constipação, diminuição do olfato e alteração no peso. Estes sintomas não-motores podem se manifestar bem antes de o diagnóstico ser estabelecido, o que faz com que muita gente siga anos sem tratamento.
  8. O estresse pode piorar os sintomas da doença de Parkinson.
    Tentar esconder a doença de Parkinson ou disfarçar seus sintomas podem gerar um grau de estresse que piora o cenário. Se você continua trabalhando e ainda mantém suas atividades, converse, explique, fale o que está acontecendo. Esconder dos colegas e chefes a situação pode ser mais desafiador e cansativo do que se concentrar no trabalho e focar no próprio bem-estar.
  9. Parkinson pode, com o tempo, causar perda cognitiva.
    Além dos sintomas motores, a doença de Parkinson leva a alterações cognitivas à medida que progride. Lentidão de pensamento, declínio de atenção e função executiva e alteração de memória estão entre as principais dificuldades. O que um dia foi simples e corriqueiro vira um enorme desafio. E, o parkinsoniano se vê impotente para preparar uma refeição, trocar de roupa ou se organizar para sair de casa. Para evitar este quadro, há exercício eficientes e poderosos para o cérebro. Treiná-lo é tão importante quanto treinar os músculos.
  10.  Saber sobre a doença de Parkinson faz bem.
    Parkinson exige controle diário e constante. É importante monitorar os sintomas, administrar os medicamentos e adequar o tratamento às necessidades que aparecem com o tempo. Conhecer o que está por vir e como contornar os desafios tornam a vida mais fácil e leve. Com um bom planejamento, é possível garantir autonomia e independência por mais tempo.

Atualizado em 17/01/2019.


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