Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma condição degenerativa do sistema nervoso central que atinge 1% da população mundial acima dos 65 anos e aumenta com a idade segundo a OMS. No Brasil existem ao redor de 200 mil parkinsonianos de acordo com o Ministério da Saúde. Apesar de ser mais comum após os 65 anos, estima-se que 4% dos parkinsonianos são diagnosticados antes do 50 anos.

doença de Parkinson é uma patologia neurológica crônica e progressiva, associada à diminuição da produção de dopamina (um neurotransmissor que atua no envio de mensagens para partes do cérebro que controlam os movimentos e a coordenação). A dopamina está reduzida pois há perda precoce de neurônios (células nervosas) que a produzem. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 1% da população mundial acima dos 65 anos sofre com a doença. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que existem mais de 200 mil casos de Parkinson e mais de 1,5 milhão de profissionais, amigos e familiares que convivem com a dura rotina dos pacientes acometidos pela doença.

Diversos estudos mostram que o número de pessoas com Parkinson deve crescer significativamente nos próximos anos, no Brasil e no mundo. A principal causa se concentra no substancial aumento da expectativa de vida e do envelhecimento da população. Por outro lado, neurologistas especialistas estimam que os parkinsonianos vivam bem Melhor e por mais tempo com o avanço dos diferentes tratamentos de combate aos sintomas da doença. Em geral os homens são mais afetados pela doença do que as mulheres.

Causas da doença de Parkinson

Parkinson foi descrito pela primeira vez ainda em 1817, pelo médico inglês James Parkinson, posteriormente disseminado e conhecido popularmente como “Mal de Parkinson”. No entanto, o termo caiu em desuso e foi abandonado por médicos e pacientes com o objetivo de reduzir o estigma social e o preconceito contra os portadores da doença.

Atualmente, se conhece muitos detalhes sobre a doença, mas não é possível saber entre as pessoas, quem desenvolverá a doença. Por isso não é possível prevenir o aparecimento do Parkinson. Por ser uma doença considerada neurodegenerativa, tem progressão dos sintomas consequentes à perda antecipada de neurônios que produzem dopamina localizados em uma região do chamada de substancia negra. Por isso é considerada uma doença neurológica crônica e progressiva e e por isso aumenta com a idade.

A dopamina é um neurotransmissor responsável pelo envio de mensagens às partes do cérebro que fazem a coordenação dos movimentos. Sem ela, a informação necessária para o controle do Movimento não atinge seu alvo, ou seja, há falha na comunicação. Assim ocorre o tremor e o controle motor fica comprometido.

O tremor ainda é o sintoma mais evidente da doença, mas nem todo parkinsoniano tem tremor. O Parkinson também pode afetar diferentes regiões do corpo do paciente, como os músculos responsáveis pela fala e deglutição, olfato e até trazer dificuldades para andar. Com o avanço da degeneração, pode inclusive alterar a capacidade de concentração e em fases muito avançadas até comprometer a memória como veremos a seguir.


Sintomas do Parkinson

Os primeiros sintomas do Parkinson costumam ser sutis e surgem gradualmente, podendo passar despercebidos por muito tempo e até serem considerados traços característicos do envelhecimento, o que acaba por dificultar o diagnóstico assertivo da doença.
Muitas pessoas acreditam que os sintomas da doença de Parkinson se limitam ao tremor, principalmente por ser uma característica marcante da doença. Porém, existem outras características sintomáticas importantes para uma primeira detecção da doença. Veja o vídeo abaixo como explica o Dr Erich Fonoff
 
 

1 – Tremor: em geral inicia em uma das mãos e braço, mas depois progride para a perna e para o outro lado. Pode atingir até lábios e a cabeça. Costumam aparecer quando a pessoa está em repouso, ou seja com a mão parada, mas o estresse e nervosismo podem piorar o tremor significativamente. Em muitos casos é possível notar um movimento típico provocado pelo tremor do Parkinson, quando o paciente passa a ponta do indicador sob a ponta do polegar, como se estivesse contando notas.

É importante ressaltar que, embora o tremor ainda seja o sinal mais conhecido e evidente da doença de Parkinson, ele não afeta todos os parkinsonianos e não é o mais incapacitante dos sintomas.

2 – Rosto sem expressão: o olhar fica parado, a expressão facial mais séria e os movimentos da face são menos notados, independentemente da vontade da pessoa. Até os olhos costumam piscar com menor frequência, e a pessoa deglute a saliva manos vezes. As vezes isso dificulta a a interpretação da emoções e de seus movimentos e para quem convive com o parkinsoniano parece que tem uma máscara sobre o rosto.

É comum que, mesmo de bom humor, o paciente de Parkinson seja visto como uma pessoa séria, brava e até deprimida. É preciso muito esforço para transparecer outra impressão.

3 – Micrografia: trata-se da dificuldade em movimentar as mãos e dedos, provocando rigidez muscular. A consequência desse sintoma atinge a escrita do paciente, fazendo com que as letras e os espaços entre elas se tornem menores.

Tarefas simples do dia a dia como elaborar uma lista de supermercado ou assinar o próprio nome tomam mais tempo e demandam mais atenção. Para enfrentar esse sintoma, os paciente costumam escrever mais lentamente, em papel pautado e com caneta mais larga para manter a legibilidade. As vezes a assinatura se modifica sem que o paciente perceba podendo até causar problemas de reconhecimento da assinatura

4 – Má Postura: é possível notar, ainda no início da doença, uma inclinação do tronco e da cabeça para frente, comprometendo o equilíbrio e agilidade ao se movimentar. Caminhar e até olhar para frente se tornam um grande desafio.

A atividade física é uma medida primordial para parkinsonianos, sendo a recomendação número um para combater os problemas de mobilidade. O uso de sapatos que garantam a firmeza dos pés também é fundamental no combate desse sintoma.

5 – Voz Baixa: a doença de Parkinson também afeta o movimento de diferentes partes do corpo, como os músculos da face, garganta e boca, todos importantes para a fala. Com isso, a consequência é a redução do tom e timbre de voz, atingindo a clareza das palavras e causando uma sensação de fala mole, arrastada, sem interessa, fazendo com que muitos pacientes se isolem para evitar a exposição e constrangimento.

O paciente tem a impressão de estar falando cada vez mais alto para ser compreendido, o que provoca um enorme cansaço. Para isso, evitar conversas em grandes grupos ou em lugares cheios e barulhentos pode ajudar na adaptação da nova dinâmica de comunicação.

6 – Hipotensão Postural: trata-se da queda súbita de pressão arterial quando a pessoa muda de posição ou se levanta rapidamente. A sensação é de tontura e que vai desmaiar, comprometendo equilíbrio e aumentando os riscos de queda. As vezes podem ocorrer desmaios, ou piora repentina dos sintomas e até suor frio.
Cerca de 20% dos pacientes de Parkinson apresentam esse sintoma devido à redução dos neurotransmissores. Porém, existem outras causas que ajudam na evolução desse sintoma, como: desidratação, uso de antidepressivos, diuréticos e sedentarismo.

7 – Perda Olfativa: é um dos sintomas iniciais mais comuns e atinge a maioria dos pacientes da doença. Estima-se que cerca de 90% dos parkinsonianos não sentem cheiros de forma plena, inclusive apresentando alterações no paladar (uma vez que os dois sentidos se interligam).

A perda olfativa pode surgir muitos anos antes da doença de Parkinson ser diagnosticada. Existem relatos de pacientes que notaram a redução no olfato até duas décadas antes dos sintomas motores se instalarem.

8 – Sono Inquieto: é comum uma certa agitação durante o sono. É como se o paciente atuasse durante o sonho e faz parte da doença. Especialistas relatam que os movimentos são tão repentinos e intensos que chegam a incomodar quem dorme ao lado. Em geral, tais alterações do sono são descritas pelo companheiro, pois o paciente não percebe na maior parte das vezes

Estima-se que cerca de 60% dos parkinsonianos tem insônia. Eles adormecem facilmente, mas perdem a capacidade de seguir dormindo, acordando após algumas horas e comprometendo a restauração necessária de uma noite bem dormida.

9 – Dificuldade para Caminhar: frequentemente se relaciona à quantidade de dopamina funcionante no cérebro. Quando há uma queda dessa substância, as alterações ao caminhar costumam ser bem significativas. Os braços também costumam ficar mais rígidos e com menos movimento, e tendem a ficar rente ao corpo o que compromete o equilíbrio e agilidade da marcha.
Um dos sintomas iniciais do Parkinson passa pelo congelamento e incapacidade súbita e passageira de iniciar um movimento. Embora não atinja todos os pacientes, estima-se que cerca de 40% dos pacientes sofram com essa instabilidade e quedas.

10 – Constipação: muitos pacientes sofrem com o sistema nervoso autônomo (responsável pelo controle das funções do organismo como respiração, circulação, manutenção da pressão arterial, digestão e movimentos). Com isso, o trato intestinal costuma se tornar mais lento preguiçoso resultando em desconforto no abdome e redução na frequência de evacuações. Algumas medicações podem ainda agravar essa situação.
É importante frisar que o funcionamento do intestino de um parkinsoniano não precisa ser diário, mas é importante que siga uma dieta equilibrada, com bastante líquido para que, assim, consiga garantir conforto e bem-estar.


O Diagnóstico do Parkinson

O diagnóstico do mal de Parkinson, principalmente em seu início, é um grande desafio até mesmo para os especialistas na área, e costumam exigir mais de uma consulta ao neurologista.
Até hoje não existe um exame único capaz de diagnosticar sozinho o Parkinson, fazendo com que muitos pacientes passem meses e até anos sem receber o devido diagnóstico e, por isso, seguem com os sintomas, porém, sem o tratamento adequado. Por isso é importante procurar um especialista em Parkinson em caso de dúvida.

diagnóstico da doença de Parkinson se inicia com avaliação neurológica feita em consultório, quando se destaca pelo menos três de quatro sinais: presença de tremores, rigidez nas pernas, braços e tronco, lentidão e diminuição dos movimentos e instabilidade na postura.

Nem todos os sintomas precisam ser constatados para se suspeitar do Parkinson. Mesmo sintomas leves podem ser evidentes aos olhos de um especialista em Parkinson. Além disso, o neurologista prescreve a medicação específica e havendo melhora significativa o diagnóstico é reafirmado. Mesmo assim para a confirmação final do diagnóstico de Parkinson pode levar até alguns anos e admite-se que apos toda a constatação dos sintomas ainda assim se espera até 5 anos desde o início dos sintomas para finalizar o diagnostico.

Em geral, a confirmação ocorre na grande maioria dos casos, e por isso o diagnóstico é refirmado logo nas primeiras visitas ao medico. A preocupação existe pois há diversas doenças que parecem a doença de Parkinson mas exibem sintomas um pouco diferentes. Veja abaixo sobre os parkinsonismos.

Exames e manobras terapêuticas utilizados para o auxílio diagnóstico do Parkinson

Em alguns casos, quando necessário, o neurologista pode indicar o uso de levodopa (medicação utilizada como material prima para a fabricação da dopamina pelo cérebro). Quando os sintomas melhoram com o uso desse medicamento é quase certo o diagnóstico do Parkinson. Caso ainda haja dúvidas se o paciente possui a doença de Parkinson ou algum outro tipo de parkinsonismo (doenças com sintomas semelhantes ao Parkinson, mas com evolução e tratamentos distintos), existem dois exames de imagem que auxiliam no diagnóstico assertivo:

A ultrassonografia transcraniana é um exame de ultrassom aplicado através do crânio, sem necessidade de contrastes, que mostra mudança de cor (ecogenicidade) de uma parte do cérebro chamada da substancia negra, a região do cérebro que mais produz dopamina. A modificação em sua ecogenicidade corresponde as alterações degenerativas nesta região, ou seja perda das células dopaminérgicas e consequentemente redução da dopamina cerebral, um dos mecanismos presentes na doença de Parkinson. Auxilia no diagnóstico, quando há dúvidas quanto a síndrome parkinsoniana.

A cintilografia cerebral (com TRODAT), aponta a quantidade de dopamina no estriado, região do cérebro que recebe a dopamina diretamente da substância negra.

Neste exame se injeta uma substancia radioativa (mínima radioatividade não prejudicial a saúde) para demarcar a quantidade de dopamina, ou seja quando está diminuída o diagnóstico é mais provável.

Ambos os exames estão disponíveis em São Paulo, mas não são comuns mesmo em outras capitais pelo Brasil, pois exigem médicos especialistas e equipamentos especializados e por vezes tem ainda custo elevado. Apesar de não fazer o diagnóstico por si, auxilia quando há dúvidas quanto a síndrome parkinsoniana, juntamente com outros dados de história e exame neurológico.

O que são parkinsonismos e os desafios no diagnóstico

Quando se fala em tremor, Parkinson é a primeira doença que vem à mente. Porém, já se sabe que tremores podem atingir mesmo quem não tem Parkinson. O mesmo acontece com outros sintomas neurológicos. Eles acometem pacientes de Parkinson e pessoas que não têm a doença, mas sim doenças similares ou seja, outras formas de parkinsonismo. Dr. Erich Fonoff afirma que o diagnóstico de parkinsonismos em geral é um desafio clínico e que os primeiros sintomas precisam ser percebidos pelo médico. Tais sintomas pode surgir ao longo do tempo, durante o seguimento clínico, por isso não se pode afirmar um diagnostico de certeza já nos primeiros meses de acompanhamento.

“Quando há suspeita de doença de Parkinson, uma forma de confirmar o diagnóstico é fazendo o teste de resposta a levodopa, a principal medicação antiparkinsoniana”, afirma o dr. Erich. “Se o quadro melhorar, praticamente confirma-se. Outros parkinsonismos já não respondem bem a essa medicação. Em raras exceções outros parkinsonismos responder inicialmente à medicação, mesmo em menor intensidade, e assim, podem trazer incertezas no diagnostico.”

Entenda a seguir o que são parkinsonismos e como eles se diferem da doença de Parkinson.

– Parkinsonismo – ou síndrome parkinsoniana – é o termo médico usado para descrever uma série de síndromes que tem, em grande parte, os mesmos sintomas atribuídos à doença de Parkinson. De acordo com a International Parkinson and Movement Disorder Society, a doença de Parkinson é o parkinsonismo mais comum, correspondendo a cerca de 80% dos casos.

– Os sintomas, comuns à doença de Parkinson e a outros parkinsonismos, são tremores, rigidez muscular, lentidão dos movimentos, alterações na fala e instabilidade postural. Nem todo mundo que apresenta esses sintomas desenvolve a doença de Parkinson.

– Casos de parkinsonismos outros que não a doença de Parkinson propriamente dita, podem ser causados por doenças neurodegenerativas, como esclerose múltipla e problemas vasculares cerebrais, e também induzidos por medicamentos.

– Sempre que possível, é importante estabelecer a origem do parkinsonismo, pois os sintomas são semelhantes, porém, a evolução e a reposta ao tratamento são diferentes para cada situação. Em casos em que os sintomas estejam relacionados ao uso de medicamentos antagonistas da dopamina, deve se suspender essas medicações e analisar a necessidade de se prescrever antiparkinsonianos.

Como dito acima a doença de Parkinson propriamente dita é a primeira causa de parkinsonismo, mas o parkinsonismo induzido por medicações é a segunda causa de parkinsonismo, ou seja é muito importante que seja realizado o diagnóstico, pois em grande parte os sintomas podem ser revertidos comas medicações. A lista de medicações é extensa bastante, e os mais comuns são antipsicóticos típicos (clorpromazina, haloperidol, pimozida, sulpirida) antipsicóticos atípicos (risperidona, olanzapina, aripiprazol) antieméticos (metoclopramida) e antivertiginosos (flunarizina, cinarizina).

Outras medicações que menos frequentemente podem causar problemas desta natureza, principalmente em altas doses e por longos períodos são a quetiapina, clozapina, lítio, citalopram, fluoxetina, paroxetina, Sertralina, acido valproico, fenitoína, domperidona entre outros.

– De todos os pacientes com parkinsonismos, os pacientes com doença de Parkinson respondem melhor aos medicamentos e são candidatos em potencial à estimulação cerebral profunda, quando necessário.


Tratamento da doença de Parkinson

Embora ainda não exista cura para a doença de Parkinson, com o uso de medicação e técnicas de reabilitação é possível controlar os sintomas e também retardar o seu progresso, melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes.O uso de medicação pode controlar os sintomas por vários anos. Porém, com o avanço da doença, estes sintomas ficam mais fortes e respondem menos às drogas disponíveis, mesmo com dosagens maiores.

Com isso, muitas vezes os efeitos colaterais, como movimentos involuntários, se tornam tão ou mais incapacitantes do que os sintomas primários da doença.
Além das medicações, há uma série de terapias complementares fundamentais para controlar os avanços da doença e garantir a independência do paciente por mais tempo. A fisioterapia ajuda a conservar a força e a flexibilidade dos músculos, melhora a mobilidade e alivia eventuais dores no corpo.

Os diferentes tratamentos para a doença de Parkinson podem ser feitos com medicamentos, reabilitação e cirurgia. Em muitos casos é aconselhável a união dos três. Vejamos:

1 -Tratamento Medicamentoso

Grande parte dos sintomas do Parkinson são provocados pela falta de dopamina no cérebro. Portanto, muitas medicações têm o objetivo de reproduzir os efeitos desse neurotransmissor, reduzindo o tremor, a rigidez muscular e melhorando a capacidade de coordenação de movimentos.

Esses medicamentos costumam apresentar ótimos resultados conseguindo controlar os sintomas por anos. No entanto, com o passar do tempo, é necessário ajustar a medicação e até associar novas drogas para manter os mesmos efeitos.

Em outras palavras, é importante que o tratamento medicamentoso seja regularmente revisado pelo neurologista responsável para que o paciente mantenha sua qualidade de vida.

Existem diversas medicações disponíveis no Brasil que podem ser prescritos rotineiramente. As medicações tem tanto semelhanças como diferenças entre si e podem ser utilizadas tanto sozinhas (monoterapia) como em conjunto (politerapia). Os especialistas tem conhecimento e experiência para compor uma prescrição em que um medicamento tem melhor efeito determinados sintomas e frequentemente são utilizados em conjunto pois se complementam.

Existem algumas regras gerais para o uso de medicamentos no tratamento da doença de Parkinson, veja abaixo:

  • Horários: respeitar os horários das tomadas de cada medicação indicados pelo médico, Isso pode fazer toda a diferença na melhora dos sintomas. Se os horários propostos pelo médico não se encaixarem em sua rotina de vida, você deve falar com o médico durante a consulta de acompanhamento e alternativas devem ser propostas.
  • Alimentação: observe se a medicação pode ou não ser ingerida juntamente com alimentos. Muitos medicamentos devem ser ingeridos durante as refeições, outros não. Por exemplo o Levodopa (Prolopa), um dos medicamentos mais utilizados no tratamento da doença de Parkinson não deve ser ingerido com alimentos. Ao contrário, deve ser sempre ingerido com estômago vazio, pois assim é absorvido mais facilmente e terá mais efeito.
  • Substituição de medicamentos: Nem sempre medicações com nomes parecidos tem efeitos semelhantes, assim na falta de medicações, sempre consulte o médico qual medicação poderia substituir a que está em falta.
  • Efeitos esperados: converse com o médico e pergunte quais os efeitos esperados de cada medicação e porque está sendo prescrita naquela dose e horário. Frequentemente o paciente ou cuidador atribui um efeito a certo medicamento que não necessariamente ocorre. É importante saber os efeitos benéficos esperados e saber que também podem ocorrer efeitos incomuns. Sempre pergunte a seu médico.
  • Efeitos adversos ou colaterais: Os medicamentos podem ter efeitos indesejáveis, mas na maior parte das vezes pode ser evitados ou reduzidos. Mas para isso o médico deve sempre ser consultado, pois nem sempre o efeito que ocorre é relacionado a determinado medicamento. A bula também pode ser consultada, mas é importante sabermos que os efeitos mais raros e graves são listados ao lado de efeitos leves e comuns, muitas vezes sem que seja feita essa distinção.
  • Medicamentos complementares: no tratamento da doença de Parkinson diversos medicamentos tem efeito de potencializar outro, ou seja, quanto tomados ao mesmo tempo o efeito é maior e mais prolongado. Um exemplo disso são o Levodopa e Entacapone que na maior parte das vezes devem ser ingeridos ao mesmo tempo para que o efeito do prolopa fique maior e mais prolongado.
  • Intervalos: em geral os medicamentos no tratamento de doença de Parkinson devem ser ingeridos durante o dia, salvo quando orientado especificamente para serem tomados a noite. Assim, estes são sempre passados, por exemplo, 4x dia com intervalos de 4 horas, diferente de outros medicamentos como antibióticos que são prescritos, por exemplo, 6/6 horas, ou seja, alguns dos horários pode coincidir com horários de tarde da noite ou madrugada.

2 -Reabilitação
Existe uma série de terapias complementares fundamentais para controlar os avanços da doença e garantir independência ao paciente. A fisioterapia, por exemplo, auxilia na conservação da força e flexibilidade dos músculos, melhorando a mobilidade e aliviando eventuais dores no corpo.

A terapia ocupacional também é uma ótima ferramenta para o paciente realizar atividades rotineiras com mais tranquilidade, segurança e autonomia.

Assim como a fonoaudiologia, que trabalha a força da voz para que o paciente mantenha o volume e clareza da fala, podendo assim continuar mantendo seus laços sociais e afetivos.

É importante lembrarmos que a atividade física também é um fator primordial para os parkinsonianos, sendo também um pilar de tratamento para a doença de Parkinson. Logo que o paciente recebe o diagnóstico já deve escolher a prática de um exercício com a ajuda de um profissional.

Além das terapias acompanhadas pela fisioterapeuta ou fonoaudióloga, é importante o paciente praticar atividade física regularmente com os seguintes propósitos:

  • Condicionamento físico: o preparo físico é muito importante para todas as pessoas mas, mais ainda para que sofre com alguma doença neurológica. Na doença de Parkinson, o preparo físico é fundamental, não para fazer competições mas para adequar seu corpo às necessidades do dia-a-dia, ou seja, que a pessoa tenha folego para passar pelas atividades diárias sem que se sinta cansada. Condicionar o físico para que a rotina diária fique leve para sua condição física. Em geral são indicadas atividades aeróbicas com intensidade levemente progressiva ao longo do tempo.
  • Fortalecimento muscular: Os músculos devem ser sempre alongados e fortalecidos, principalmente no lado do corpo que a doença se iniciou ou trás mais dificuldade. Musculação leve e progressiva seguida ou precedida de alongamentos idealmente supervisionados, complementa e facilita o condicionamento físico.

A atividade física regular, não só trás bem estar, como é a única modalidade de tratamento que comprovadamente reduz a progressão da doença de Parkinson, considerada uma doença neurodegenerativa. Ou seja, as pessoas que fazem atividade física regularmente, além de terem bem estar ainda fazer a doença ser mais lenta em sua progressão. Em outras palavras, que se exercita vai ter menos dificuldades e sintomas no futuro do que quem não se exercita fisicamente.

3 -Cirurgia

A cirurgia funcional para doença de Parkinson também tem se tornado cada vez mais acessível. Quando se refere à cirurgia de Parkinson, em geral, a Estimulação cerebral Profunda (DBS – deep brain stimulation do Inglês) é a técnica mais utilizada com vantagens diversas, por isso os termos são tratados quase como sinônimos na maioria dos países.

O procedimento de implante de eletrodos cerebrais atualmente é considerada um tratamento seguro e efetivo. É indicada para pacientes que já responderam muito bem à medicação e com o tempo não conseguem mais os mesmos efeitos.

Nesses casos, a cirurgia consegue retroceder alguns anos nos sintomas e na resposta a medicação, consequentemente ganhando em qualidade de vida e maior funcionalidade.

A ideia não é interromper o tratamento medicamentoso, isso nem é considerado mais um objetivo da cirurgia. Em geral, as medicações e doses são reduzidas drasticamente, muitas vezes pela metade depois da cirurgia e permanecem em doses bem menores durante anos. O sintomas são reduzidos e a resposta do organismo à medicação potencializada.

Assim é possível associar os diferentes tratamentos para aumentar o conforto e autonomia dos pacientes. É importante ressaltar que cada paciente tem suas características e manifestação da doença, fazendo com que as opções de tratamento sejam traçadas de acordo com cada quadro e fase da evolução da doença. Nunca há apenas um caminho a seguir!

A tecnologia a favor dos pacientes de Parkinson!

Em 2017, diversas empresas importantes no ramo da tecnologia desenvolveram equipamentos específicos para controlar os sintomas da doença de Parkinson e aumentar a qualidade de vida dos pacientes. Dentre elas:

1 – Eletrodos direcionais:  Atualmente os sistemas mais avançados de estimulação cerebral profunda, são eletrodos utilizados por meio de implantes cerebrais, que possuem o dobro de possibilidades de programações quando comparados aos antigos.

Mas a grande diferença é que permitem que regiões próximas ao eletrodo possam ser menos estimuladas quando eventualmente haja efeitos colaterais, ou mais estimuladas quando os efeitos serem benéficos. Em outras palavras, o neurologista pode direcionar com maior precisão e detalhismo os impulsos elétricos no cérebro.

Em nossa prática clinica, já utilizamos este tipo de eletrodos há 3 anos e fomos pioneiros no uso na América juntamente com centros no Canadá. Apenas recentemente os Estados Unidos iniciaram e outros países iniciaram seu uso. Na atualidade, temos visto ganhos reais em relação a tecnologia antiga, ou seja os resultados tem sido consistentemente melhores a cada dia. Essa tecnologia tem colocado a cirurgia de implante de eletrodos ainda mais a frente nos últimos anos.

2 – A Klick Labs (empresa americana de tecnologia voltada à saúde) criou um equipamento via Bluetooth que, em tempo real, transmite para uma pessoa que não tem a doença os tremores característicos de quem possui a doença de Parkinson.

O objetivo desse equipamento, chamado de SymPulse, foi promover a empatia entre familiares e fabricantes, pois ao saber como o paciente de Parkinson se sente, tanto tratamento como diagnóstico podem ser mais precisos, fazendo quem convive com a doença entender com mais clareza o que se passa com o paciente.

3 – Satya Nadella (CEO da Microsoft), apresentou na conferência anual da empresa o protótipo de um relógio que elimina temporariamente os tremores da doença. O aparelho funciona através da ativação de técnicas de inteligência artificial que ajudam a controlar os sintomas.

O relógio foi batizado de Emma em homenagem à designer da peça e parkinsoniana de início precoce Emma Lawton. O aparelho, em um segundo momento, será testado por neurocientistas em um grupo de pacientes.

4 – Dois equipamentos que promovem estímulos visuais e auditivos foram testados e aprovados para melhorar a marcha dos parkinsonianos. Ambos estão disponíveis no Brasil para compra e locação:

Andador virtual (ou óculos de realidade virtual): faz com que o visor projete, à frente, a imagem de uma esteira com quadrados brancos e pretos para guiar os passos dos pacientes.

À medida em que a pessoa aumenta o ritmo, a “rolagem” da esteira também ganha velocidade. Simultaneamente a isso há um estímulo auditivo, pelos fones de ouvido, para dar ritmo à caminhada e, consequentemente, estabilidade.

Bengala com laser: ao tocar um solo, a bengala emite um feixe de laser que projeta um traço luminoso vibrante no chão à frente. O paciente, por sua vez, se guia por esta luz e dá o passo por cima dela.

O objetivo é que os passos fiquem maiores e mais ritmados com a prática. Dessa forma, o paciente ganha estabilidade corporal e segurança para caminhar.


Mal de Parkinson ou doença de Parkinson?

Descrita pela primeira vez em 1817, pelo médico inglês James Parkinson, a doença de Parkinson foi, por décadas, conhecida como Mal de Parkinson. Isto, no entanto, ficou para trás. Há vários anos, o termo ‘Mal de Parkinson’ caiu em desuso e foi abandonado por médicos e pacientes, com o objetivo de reduzir o estigma social e o preconceito contra portadores da doença, explica o dr. Erich Fonoff.

Médicos, familiares e parkinsonianos, principalmente, corrigem e enfatizam que Parkinson é uma doença como todas as outras e não um mal maior que as outras enfermidades. É um conjunto de sinais e sintomas que não definem a pessoa, apenas fazem parte da vida dela. Mais: Parkinson não é um mal, uma maldição, um castigo que alguém recebeu. Portanto, uma simples mudança na nomenclatura tem o poder, sim, de diminuir o peso e o constrangimento que muitas vezes vêm com a doença – esta e tantas outras.

A doença de Parkinson, e não mais Mal de Parkinson, é uma doença neurológica crônica e progressiva. Ela provoca uma diminuição da produção de dopamina, neurotransmissor responsável por enviar mensagens às partes do cérebro que controlam os movimentos e a coordenação. Sem ela, particularmente na região cerebral chamada de substância negra, o controle motor fica comprometido.

Este, no entanto, é apenas um dos sintomas. Há vários outros sintomas não-motores, como dor, falta de concentração, fadiga, sono pouco restaurador, constipação, diminuição do olfato e alteração no peso. Em alguns pacientes, os sintomas não-motores se manifestam bem antes de o diagnóstico ser feito e, por isso, passam despercebidos. Consequentemente, o paciente segue meses e até anos sem acompanhamento médico e tratamento adequado. No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas têm o problema.


Sobre o Dr. Erich Fonoff

O Dr. Erich Fonoff é médico neurocirurgião, professor, pesquisador e um dos principais especialistas brasileiros em neurocirurgia funcional, com ênfase nas áreas de dor, doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento. É professor livre-docente do departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP.

Atuou como médico neurocirurgião na equipe do Hospital das Clínicas da FMUSP e coordenou o Laboratório de Neuromodulação de Dor Experimental do Hospital Sírio-Libanês. Ele é diretor técnico do canal Parkinson Hoje, comunidade online que reúne informações, dicas e materiais educacionais para todos aqueles que convivem com a doença de Parkinson. Parkinson Hoje e este site tem caráter exclusivo de esclarecimento e educação à sociedade e é produzido de acordo com a resolução CFM Nº 1.974/2011.

 

Atualizado em 10/09/2019

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