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Como reconhecer os estágios do Parkinson

Tremor, rigidez muscular, falta de equilíbrio, apatia facial. Todos estes são sintomas da doença de Parkinson, típicos e facilmente reconhecidos. Porém, eles se apresentam de forma aleatória e em diferentes intensidades para cada paciente.  

Ainda assim, o Parkinson segue alguns padrões de progressão distintos, o que permite os médicos avaliar em que ponto a doença está numa determinada pessoa. Para essa classificação, a maioria dos profissionais de saúde usa a Escala de Hoehn & Yahr, que uniformiza o exame neurológico com critérios objetivos e divide a evolução dos sintomas em cinco estágios do Parkinson.

Conhecer os estágios do Parkinson ajuda pacientes e familiares a se preparar para cada novo desafio, que surgirá com o tempo. Segundo especialistas, algumas pessoas passam por todos eles em 20 anos, já outras veem a doença acelerar muito mais rapidamente.

Os estágios do Parkinson

  • Estágio 1 – Neste início, os sintomas não interferem nas atividades do cotidiano. Os tremores e as dificuldades motoras atingem apenas um lado do corpo, por isso passam despercebidos para os outros. Pessoas mais próximas, porém, já percebem algo diferente na postura, no caminhar e nas expressões faciais.
  • Estágio 2 – Neste ponto, os tremores, a rigidez muscular e as dificuldades motoras atingem os dois lados do corpo. O paciente anda mais devagar, com passos curtos. A fala já não é tão clara e o tom de voz diminui. Ainda é possível ser independente e ter autonomia para se cuidar sozinha, mas as tarefas demandam mais tempo para ser finalizadas. A evolução do primeiro estágio para o segundo pode demorar meses ou anos. Não há como prever.
  • Estágio 3 – Os sintomas ficam mais evidentes e a doença, mais comprometedora. Os movimentos são cada vez mais lentos. Falta equilíbrio para ficar de pé e para andar. As quedas ocorrem com mais frequência. Comer e se vestir sem ajuda de outra pessoa é um grande desafio. Terapias complementares, como a ocupacional, ajudam bastante a manter a autonomia do paciente.
  • Estágio 4 – Neste ponto, os sintomas se agravam e se tornam incapacitantes. Muitos pacientes já precisam de ajuda para andar e realizar pequenas tarefas do cotidiano. É do estágio 3 para o 4 que a maioria dos pacientes perde a autonomia. A presença de um cuidador ou parente é essencial. Morar sozinho se torna impossível.
  • Estágio 5 – Este é o estágio do Parkinson mais avançado, no qual a rigidez nas pernas impede o paciente de andar. Muitos passam a usar cadeiras de rodas ou ficam a maior parte do tempo na cama. Muitos parkinsonianos neste estágio apresentam delírios e alucinações. Os efeitos colaterais provocados pelas medicações superam seus benefícios.

*A Escala Hoehn & Yahr se baseia principalmente nos sintomas motores. Como a doença de Parkinson provoca também uma série de sintomas não-motores, os médicos usam a Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson (UPDRS, sigla em inglês) para classificar as dificuldades cognitivas, que podem comprometer e dificultar não só as atividades cotidianas como o próprio tratamento. O uso das escalas não substitui o diagnóstico médico. Em caso de dúvidas, procure um neurologista.

Atualizado em 14/06/2023.

 

Erich Fonoff

Dr. Erich Fonoff é médico neurocirurgião, professor, pesquisador e um dos principais especialistas brasileiros em neurocirurgia funcional, com ênfase nas áreas de dor, doença de Parkinson, tremor essencial e outros distúrbios do movimento. O seu trabalho na cirurgia de Parkinson documentou avanços significativos nos últimos anos, principalmente no aprimoramento da Estimulação Cerebral Profunda. CRM (SP): 93.868