Índice da página
Saiba tudo sobre a Doença de Parkinson
A experiência e dedicação fazem diferença no cuidado ao paciente com Parkinson
Há mais de 25 anos, o Dr. Erich Fonoff dedica sua carreira ao diagnóstico e tratamento dos distúrbios do movimento. Ao longo desse período, participou do acompanhamento de aproximadamente 10 mil pacientes com doença de Parkinson, tremor, distonia e outras condições neurológicas, dedicando mais de 80% de sua prática clínica ao atendimento dessas doenças. Essa experiência permite oferecer uma avaliação individualizada, baseada não apenas nas evidências científicas mais recentes, mas também na vivência acumulada ao longo de milhares de consultas e procedimentos especializados.
A doença de Parkinson é uma doença neurológica crônica e progressiva que afeta principalmente o controle dos movimentos, mas também pode causar diversos sintomas não motores que interferem na qualidade de vida. Embora ainda não exista cura, os avanços no diagnóstico, nos medicamentos, na reabilitação e nas terapias avançadas permitem que muitos pacientes mantenham independência e qualidade de vida por muitos anos.
Na prática clínica, observamos que uma das maiores dificuldades dos pacientes e de suas famílias é compreender que a doença de Parkinson vai muito além do tremor. Cada pessoa apresenta uma combinação própria de sintomas e uma velocidade de evolução diferente, motivo pelo qual o tratamento deve ser sempre individualizado.
A doença ocorre devido à perda progressiva de neurônios localizados em uma região profunda do cérebro chamada substância negra, responsáveis pela produção de dopamina. Esse neurotransmissor é essencial para o funcionamento dos circuitos cerebrais que controlam os movimentos, o equilíbrio e diversas outras funções do organismo. À medida que a produção de dopamina diminui, surgem sintomas como lentidão dos movimentos, rigidez muscular, tremor de repouso e alterações da marcha, além de manifestações não motoras que podem aparecer anos antes do diagnóstico.
Uma doença cada vez mais frequente
A doença de Parkinson é atualmente considerada a doença neurológica que mais cresce no mundo em número de casos, impacto na qualidade de vida e custos para os sistemas de saúde.
Os dados mais recentes do Global Burden of Disease Study 2021 estimam que aproximadamente 11,8 milhões de pessoas viviam com a doença em todo o mundo em 2021. As projeções indicam que esse número poderá ultrapassar 25 milhões de pessoas até 2050, representando um aumento superior a 100% nas próximas décadas.
Grande parte desse crescimento é consequência do aumento da expectativa de vida e do envelhecimento da população. Entretanto, também contribuem para esse cenário o diagnóstico mais precoce, o maior acesso aos serviços especializados e a maior sobrevida dos pacientes proporcionada pelos avanços terapêuticos.
Quem pode desenvolver a doença?
A doença de Parkinson é mais frequente após os 60 anos e sua prevalência aumenta progressivamente com a idade. Estima-se que aproximadamente 1 a 2% das pessoas acima dos 65 anos convivam com a doença.
Embora seja considerada uma doença do envelhecimento, ela também pode surgir em pessoas mais jovens. Aproximadamente 5 a 10% dos pacientes apresentam início dos sintomas antes dos 50 anos, situação conhecida como Parkinson de início precoce.
Em nossa experiência, esses pacientes costumam ter dúvidas diferentes das observadas em pessoas mais idosas, principalmente relacionadas ao trabalho, à vida familiar e ao planejamento de longo prazo. Nessas situações, uma avaliação individualizada torna-se ainda mais importante.
Homens e mulheres
A doença de Parkinson é cerca de 1,5 vez mais frequente em homens do que em mulheres. No entanto, isso não significa que as mulheres sejam pouco afetadas. As projeções internacionais indicam que, até 2050, aproximadamente 11,5 milhões de mulheres viverão com a doença em todo o mundo.
Ao longo dos últimos anos, também temos observado uma crescente preocupação da comunidade científica em compreender as diferenças entre homens e mulheres na apresentação clínica da doença, na resposta aos tratamentos e na evolução dos sintomas. Esse conhecimento poderá contribuir para estratégias terapêuticas cada vez mais personalizadas.
Uma doença que hoje pode ser tratada com muito mais eficácia
Receber o diagnóstico de doença de Parkinson costuma gerar ansiedade e muitas dúvidas. Entretanto, a realidade atual é bastante diferente daquela de algumas décadas atrás.
Ao longo de mais de 25 anos dedicados aos distúrbios do movimento, acompanhamos uma transformação significativa na forma de tratar a doença. Hoje dispomos de medicamentos mais eficazes, programas estruturados de reabilitação, terapias de infusão contínua e técnicas avançadas, como a Estimulação Cerebral Profunda (DBS), capazes de proporcionar melhora importante dos sintomas em pacientes cuidadosamente selecionados.
Na nossa experiência, um dos fatores que mais influencia a qualidade de vida não é apenas o tratamento em si, mas o momento em que ele é iniciado e a forma como é individualizado para cada paciente. O acompanhamento por uma equipe especializada permite ajustar as terapias ao longo da evolução da doença, preservando autonomia, funcionalidade e independência pelo maior tempo possível.
Causas da Doença de Parkinson
A doença de Parkinson foi descrita pela primeira vez em 1817, pelo médico inglês James Parkinson, que publicou um pequeno livro relatando pacientes com alterações características dos movimentos. Algumas décadas depois, o neurologista francês Jean-Martin Charcot aprofundou o conhecimento sobre a doença e propôs que ela passasse a ser conhecida internacionalmente como Doença de Parkinson, denominação utilizada até hoje.
Durante muitos anos, a enfermidade também foi chamada de “Mal de Parkinson”. Atualmente, esse termo praticamente deixou de ser utilizado por profissionais de saúde e pacientes, por ser considerado inadequado e contribuir para o estigma associado à doença.
Afinal, o que causa a doença de Parkinson?
Essa é uma das perguntas mais frequentes que recebemos no consultório.
Apesar dos enormes avanços da ciência nas últimas décadas, ainda não existe uma única causa conhecida para a maioria dos casos de doença de Parkinson.
Na prática clínica, muitos pacientes perguntam se a doença surgiu por causa do estresse, da alimentação, de um trauma ou de algum medicamento. Na maioria das vezes, não existe um fator isolado capaz de explicar o seu aparecimento.
Por esse motivo, a forma mais comum da doença recebe o nome de Doença de Parkinson Idiopática, termo utilizado para indicar que sua causa exata ainda não é conhecida.
Hoje sabemos que a doença provavelmente resulta da interação entre diversos fatores, incluindo envelhecimento, predisposição genética e fatores ambientais que ainda continuam sendo intensamente estudados.
O que acontece no cérebro?
Na doença de Parkinson ocorre uma perda progressiva de neurônios localizados em uma região profunda do cérebro chamada substância negra.
Essas células são responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor fundamental para o funcionamento dos circuitos cerebrais que controlam os movimentos automáticos, o equilíbrio, a coordenação motora e diversas outras funções.
À medida que a produção de dopamina diminui, a comunicação entre diferentes regiões do cérebro torna-se menos eficiente. Como consequência, surgem sintomas como lentidão dos movimentos, rigidez muscular, tremor de repouso e alterações da marcha. Com a evolução da doença, também podem aparecer sintomas não motores, envolvendo o sono, o olfato, o intestino, o humor e, em alguns pacientes, alterações cognitivas.
O papel da genética
Nos últimos anos, a genética transformou profundamente nossa compreensão da doença de Parkinson.
Atualmente sabemos que aproximadamente 15% dos pacientes apresentam algum familiar de primeiro ou segundo grau com a doença. Entre esses pacientes familiares, cerca de um terço possui variantes genéticas reconhecidamente associadas ao Parkinson. Considerando todos os pacientes, estima-se que aproximadamente 5% apresentem uma causa genética identificável pelos conhecimentos atuais.
Isso significa que, para a grande maioria das pessoas, a doença continua sendo resultado de uma combinação complexa de fatores, e não de uma única alteração genética.
Além disso, novos genes continuam sendo descobertos, e a genética tem assumido papel cada vez mais importante não apenas para compreender a origem da doença, mas também para o desenvolvimento de tratamentos personalizados que estão atualmente em pesquisa clínica.
Nossa experiência em genética da doença de Parkinson
Ao longo dos últimos anos, acompanhamos de perto a rápida evolução da genética aplicada à doença de Parkinson.
O Dr. Erich Fonoff coordenou o centro brasileiro do ROPAD (Rostock International Parkinson’s Disease Study), um dos maiores estudos internacionais de genética da doença de Parkinson, desenvolvido em colaboração entre o Hospital Sírio-Libanês, o Instituto Parkinson Hoje e centros de pesquisa de diversos países.
O grupo brasileiro figurou entre os dez centros com maior participação mundial, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre as características genéticas da população brasileira e sua diversidade, informações fundamentais para o desenvolvimento de futuras terapias direcionadas.
Essa experiência também permite oferecer uma avaliação mais individualizada para pacientes com suspeita de formas hereditárias da doença, especialmente nos casos de início precoce, forte histórico familiar ou apresentações clínicas incomuns.
O que isso significa para os pacientes?
Na nossa experiência, uma das maiores preocupações dos pacientes é saber se seus filhos ou familiares desenvolverão a doença.
Na maioria dos casos, a resposta é tranquilizadora. A grande parte das pessoas com doença de Parkinson não apresenta uma forma hereditária direta, e ter um familiar com Parkinson não significa, necessariamente, que outros membros da família desenvolverão a doença.
Entretanto, em situações específicas — como pacientes jovens, famílias com vários casos da doença ou apresentações clínicas atípicas — a investigação genética pode ser útil para esclarecer o diagnóstico, orientar o aconselhamento familiar e, futuramente, possibilitar a inclusão em estudos clínicos de terapias personalizadas.
Experiência em pesquisa internacional sobre a importância da genética de Doença de Parkinson
Além da atuação clínica e cirúrgica, o Dr. Erich Fonoff coordena pesquisas sobre genética da doença de Parkinson. Foi responsável pelo centro coordenador brasileiro do estudo internacional ROPAD, um dos maiores projetos mundiais dedicados à identificação de variantes genéticas associadas ao Parkinson, contribuindo para publicações em periódicos como Brain e Movement Disorders.
Principais publicações
- Relevance of genetic testing in the gene-targeted trial era: the Rostock Parkinson’s disease study. Brain. 2024. doi:10.1093/brain/awae188
- Pathogenic or Likely Pathogenic GRN Variants Are Found in 0.1% of Parkinson’s Disease Patients. Movement Disorders. 2026. doi:10.1002/mds.70161
Sintomas da Doença de Parkinson
A doença de Parkinson pode se manifestar de maneiras bastante diferentes entre os pacientes. Embora o tremor seja o sintoma mais conhecido pela população, ele nem sempre é a primeira manifestação da doença. Na prática clínica, é comum encontrarmos pacientes que inicialmente apresentam lentidão para realizar atividades do dia a dia, rigidez muscular ou alterações discretas da marcha, sem qualquer tremor evidente.
Ao longo de mais de 25 anos dedicados aos distúrbios do movimento, observamos que cada paciente desenvolve a doença de forma própria. Enquanto alguns apresentam evolução lenta e sintomas predominantemente motores, outros convivem desde o início com manifestações não motoras que podem impactar significativamente sua qualidade de vida.
Na maioria dos casos, os sintomas surgem de forma gradual e começam em apenas um lado do corpo. Com o passar do tempo, podem tornar-se mais evidentes e acometer ambos os lados, embora quase sempre permaneça uma assimetria entre eles.
Os sinais motores mais característicos da doença são a bradicinesia (lentidão dos movimentos), a rigidez muscular e o tremor de repouso. Além desses sintomas, muitos pacientes apresentam alterações da marcha, redução do balanço natural dos braços ao caminhar, diminuição da expressão facial, redução do volume da voz e dificuldade para executar movimentos automáticos que antes eram realizados sem esforço.
Parkinson vai muito além do tremor
Uma das situações mais frequentes no consultório é atender pacientes encaminhados por causa de um tremor e descobrir que eles não têm doença de Parkinson. Da mesma forma, também é relativamente comum receber pacientes com Parkinson que nunca apresentaram tremor como sintoma predominante.
Essa é uma das razões pelas quais o diagnóstico não pode ser baseado em apenas um sinal isolado. A lentidão dos movimentos (bradicinesia) é considerada o principal critério clínico para o diagnóstico e deve estar associada ao tremor de repouso e/ou à rigidez muscular, dentro de uma avaliação neurológica completa.
Sintomas não motores também merecem atenção
Além das alterações dos movimentos, a doença de Parkinson pode afetar diversos outros sistemas do organismo. Em nossa experiência, muitos pacientes relatam que alguns desses sintomas surgiram anos antes do diagnóstico, mas não imaginavam que poderiam estar relacionados à doença.
Entre os sintomas não motores mais frequentes estão:
- perda do olfato;
- constipação intestinal;
- distúrbios do sono, especialmente o transtorno comportamental do sono REM;
- ansiedade e depressão;
- alterações urinárias;
- fadiga;
- dor;
- alterações cognitivas em alguns pacientes.
Embora frequentemente recebam menos atenção do que os sintomas motores, essas manifestações podem interferir de forma importante na qualidade de vida e fazem parte da avaliação e do tratamento em todas as fases da doença.
A importância da avaliação especializada
Ao longo dos anos, acompanhando milhares de pacientes com doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento, aprendemos que pequenas diferenças na história clínica e no exame neurológico podem modificar completamente o diagnóstico.
Diversas doenças neurológicas podem apresentar sintomas semelhantes ao Parkinson, assim como algumas alterações ortopédicas, efeitos de medicamentos e até mudanças relacionadas ao envelhecimento. Por esse motivo, uma avaliação clínica cuidadosa continua sendo a ferramenta mais importante para estabelecer o diagnóstico correto.
No vídeo abaixo, o Dr. Erich Fonoff explica quais são os principais sintomas da doença de Parkinson, como eles costumam surgir e quais sinais merecem maior atenção.
Durante as Consultas
Frequentemente observo que são os familiares que percebem os primeiros sinais da doença antes do próprio paciente. É comum relatarem que a pessoa passou a caminhar mais devagar, movimenta menos um dos braços, fala mais baixo ou parece ter perdido parte da expressividade facial.
Outra situação frequente é o paciente acreditar que essas mudanças fazem parte apenas do envelhecimento natural e, por isso, adiar a procura por atendimento especializado. Felizmente, hoje sabemos que o diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento no momento adequado e preservar a autonomia e a qualidade de vida por muitos anos.
Sintomas mais frequentes da doença de Parkinson
Sintomas motores
- Bradicinesia (lentidão dos movimentos)
- Tremor de repouso
- Rigidez muscular
- Alterações da marcha
- Redução do balanço dos braços ao caminhar
- Instabilidade postural e alterações do equilíbrio
- Alterações da fala (voz mais baixa)
- Diminuição da expressão facial
- Micrografia (redução progressiva do tamanho da letra)
Sintomas não motores
- Perda do olfato
- Constipação intestinal
- Distúrbios do sono
- Ansiedade e depressão
- Dor e fadiga
- Alterações urinárias
- Alterações cognitivas em alguns pacientes
Para conhecer em detalhes os primeiros sinais da doença, consulte também nossa página sobre Sintomas Iniciais da Doença de Parkinson.
Diagnóstico da Doença de Parkinson
O diagnóstico da doença de Parkinson é, antes de tudo, clínico. Isso significa que ele é baseado principalmente na história do paciente, na evolução dos sintomas e em um exame neurológico detalhado realizado por um especialista em distúrbios do movimento.
Embora exames complementares possam ser úteis em situações específicas, não existe um exame de sangue, tomografia ou ressonância magnética capaz de confirmar, isoladamente, o diagnóstico da doença de Parkinson. Na maioria dos casos, esses exames são utilizados para excluir outras doenças que podem provocar sintomas semelhantes.
Na prática clínica, uma das situações mais frequentes é atender pacientes preocupados com um tremor que, após uma avaliação detalhada, verificamos não ser causado pela doença de Parkinson. Da mesma forma, também acompanhamos pacientes cujo primeiro sintoma nunca foi o tremor, mas sim a lentidão dos movimentos, a rigidez muscular ou alterações discretas da marcha. Essas diferenças ilustram por que a experiência clínica continua sendo um dos pilares do diagnóstico.
O que costumo avaliar durante a consulta
Ao longo de mais de 25 anos dedicados ao diagnóstico e tratamento dos distúrbios do movimento, aprendemos que nenhum sintoma isolado define o diagnóstico. É a análise integrada de diversos aspectos da história clínica, exame neurológico, exames de imagem e genética que permite confirmar a doença, identificar diagnósticos alternativos, estimar seu estágio de evolução e definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente. O diagnóstico correto exige experiência e expertise personalizada para conjugar os dados clínicos e de exames na “equação” do raciocínio clínico que leva à conclusão apurada.
Marcha e equilíbrio
Observo cuidadosamente como o paciente caminha, inicia os movimentos, realiza curvas e mantém o equilíbrio. Passos curtos, diminuição do balanço dos braços, episódios de bloqueio da marcha (freezing), dificuldade para mudar de direção e alterações posturais fornecem informações importantes sobre a evolução da doença e seu impacto funcional.
Bradicinesia (lentidão dos movimentos)
A bradicinesia é a principal característica clínica da doença de Parkinson e constitui um critério indispensável para o diagnóstico. Durante o exame neurológico, avalio a velocidade, a amplitude e a regularidade de movimentos repetitivos das mãos, dos dedos, dos pés e da marcha. Muitas vezes, conseguimos identificar alterações ainda discretas que o próprio paciente não havia percebido.
Tremor
Nem todo tremor corresponde à doença de Parkinson. Avalio cuidadosamente em quais situações ele aparece, sua distribuição no corpo, intensidade e características clínicas. Diferenciar o tremor parkinsoniano de outras causas, como tremor essencial, distonia, efeitos de medicamentos ou outras doenças neurológicas, é uma das etapas mais importantes da consulta.
Rigidez muscular
A rigidez é pesquisada por meio de movimentos passivos das articulações durante o exame neurológico. Sua intensidade, distribuição e assimetria ajudam tanto a confirmar o diagnóstico quanto a diferenciar a doença de Parkinson de outras formas de parkinsonismo.
Sintomas não motores
Em nossa experiência, muitos pacientes apresentam sintomas não motores anos antes do aparecimento das alterações motoras. Por isso, investigamos sistematicamente manifestações como perda do olfato, distúrbios do sono REM, constipação intestinal, alterações urinárias, ansiedade, depressão, dor, fadiga, tonturas e alterações cognitivas. Esses sintomas frequentemente exercem grande impacto sobre a qualidade de vida e devem ser considerados desde o início do acompanhamento.
Resposta aos medicamentos
Nos pacientes que já iniciaram tratamento, a resposta à levodopa e a outros medicamentos dopaminérgicos fornece informações extremamente valiosas. Uma melhora significativa dos sintomas costuma reforçar o diagnóstico de doença de Parkinson, enquanto uma resposta limitada ou ausente pode indicar a necessidade de investigar outras causas de parkinsonismo.
Histórico familiar e fatores de risco
Também avalio cuidadosamente antecedentes familiares, idade de início dos sintomas, velocidade de progressão da doença, exposição a medicamentos ou substâncias potencialmente tóxicas e outras condições clínicas que possam influenciar o diagnóstico e a escolha do tratamento.
Quando os testes genéticos são indicados?
Os avanços da genética ampliaram significativamente nosso conhecimento sobre a doença de Parkinson. Atualmente, o Instituto Parkinson Hoje dispõe de painéis de testes genéticos capazes de identificar variantes associadas ao Parkinson, incluindo genes como LRRK2, GBA1, PRKN (Parkin), PINK1, SNCA, VPS35, entre outros.
Entretanto, esses exames não são necessários para todos os pacientes.
Na prática, costumamos indicá-los principalmente nas seguintes situações:
- início da doença antes dos 50 anos, especialmente antes dos 40 anos;
- forte histórico familiar de doença de Parkinson;
- apresentações clínicas incomuns ou de difícil definição diagnóstica;
- necessidade de aconselhamento genético familiar;
- participação em pesquisas ou em estudos de terapias direcionadas a mutações específicas.
Além de contribuir para o aconselhamento familiar, o conhecimento do perfil genético poderá desempenhar papel cada vez mais importante na seleção de pacientes para tratamentos personalizados que estão sendo desenvolvidos atualmente.
Como essas informações orientam o tratamento
O objetivo da consulta não é apenas confirmar ou excluir o diagnóstico da doença de Parkinson.
Cada informação obtida durante a avaliação contribui para compreender o estágio da doença, identificar possíveis diagnósticos alternativos e definir a estratégia terapêutica mais adequada para aquele momento da vida do paciente.
Em alguns casos, a melhor decisão será iniciar ou otimizar o tratamento medicamentoso. Em outros, será mais importante intensificar a fisioterapia, a atividade física, a terapia ocupacional, a fonoaudiologia ou o acompanhamento multiprofissional.
Para pacientes com doença mais avançada, essa avaliação detalhada também permite identificar o momento ideal para considerar terapias avançadas, como a Estimulação Cerebral Profunda (DBS), terapias de infusão contínua de medicamentos e outras tecnologias capazes de proporcionar melhora significativa da qualidade de vida.
A experiência faz diferença
Uma situação relativamente frequente no consultório é receber pacientes que já passaram por diferentes especialistas, realizaram diversos exames e ainda permanecem com dúvidas sobre o diagnóstico.
Ao longo do acompanhamento de milhares de pacientes com doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento, aprendemos que pequenas diferenças na história clínica, no exame neurológico e na evolução dos sintomas podem modificar completamente a conclusão diagnóstica e, consequentemente, o tratamento indicado.
Por isso, mais do que interpretar exames complementares, o diagnóstico da doença de Parkinson depende de uma avaliação clínica criteriosa, individualizada e realizada por profissionais com experiência específica em distúrbios do movimento. Em nossa experiência, um diagnóstico preciso é o primeiro passo para oferecer ao paciente o tratamento mais adequado e preservar sua qualidade de vida ao longo da evolução da doença.
Tratamento da Doença de Parkinson
Embora a doença de Parkinson ainda não tenha cura, os avanços das últimas décadas transformaram profundamente o tratamento da doença. Atualmente, existem diversas opções terapêuticas capazes de controlar os sintomas, preservar a independência funcional e proporcionar excelente qualidade de vida durante muitos anos.
Na prática clínica, observamos que não existe um único tratamento ideal para todos os pacientes. Cada pessoa apresenta uma combinação própria de sintomas, velocidade de progressão, idade, estilo de vida e objetivos pessoais. Por isso, o tratamento deve ser sempre individualizado e reavaliado periodicamente ao longo da evolução da doença.
O tratamento pode incluir medicamentos, programas de reabilitação, atividade física supervisionada e, em pacientes cuidadosamente selecionados, terapias avançadas como a Estimulação Cerebral Profunda (DBS) ou outras modalidades de tratamento contínuo.
Como decidimos o melhor tratamento para cada paciente
Ao longo de mais de 25 anos dedicados aos distúrbios do movimento, aprendemos que o sucesso do tratamento depende não apenas da escolha da terapia, mas também do momento em que ela é indicada.
Durante a consulta, avaliamos diversos aspectos que influenciam diretamente essa decisão, como os sintomas predominantes, o impacto da doença nas atividades diárias, a resposta aos medicamentos, a presença de sintomas não motores, o desempenho cognitivo, a idade, as condições clínicas gerais e as expectativas do paciente e de sua família.
Essa avaliação permite construir um plano terapêutico personalizado, adaptado às necessidades de cada fase da doença.
Quando os medicamentos costumam ser suficientes?
Na maioria dos pacientes, especialmente nos primeiros anos após o diagnóstico, os medicamentos conseguem controlar muito bem os sintomas e proporcionar uma vida ativa e independente.
Nosso objetivo não é apenas reduzir o tremor ou a rigidez, mas preservar a capacidade de trabalhar, caminhar, praticar atividades físicas, manter o convívio social e realizar as atividades do dia a dia com autonomia.
Ao longo da evolução da doença, é comum que seja necessário ajustar doses, horários ou associações entre diferentes medicamentos, buscando sempre o melhor equilíbrio entre eficácia e efeitos colaterais.
O papel da reabilitação
Os medicamentos representam apenas uma parte do tratamento.
Em nossa experiência, pacientes que mantêm programas regulares de atividade física, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional frequentemente apresentam melhor desempenho funcional e maior qualidade de vida.
Essas abordagens auxiliam na mobilidade, equilíbrio, prevenção de quedas, comunicação, deglutição e manutenção da independência, sendo recomendadas em praticamente todas as fases da doença.
Quando começamos a discutir tratamentos avançados?
Existe um equívoco bastante comum de que a cirurgia deve ser considerada apenas como último recurso. Hoje sabemos que isso nem sempre é verdade.
Uma situação relativamente frequente no consultório é atender pacientes que permanecem por muitos anos com importantes limitações motoras, mesmo apresentando características que poderiam indicar benefício com terapias avançadas.
Costumamos iniciar essa discussão quando observamos que, apesar de um tratamento medicamentoso bem conduzido, o paciente passa a apresentar:
- flutuações motoras importantes (“períodos off”);
- discinesias incapacitantes;
- tremor resistente aos medicamentos;
- necessidade de doses cada vez mais frequentes de levodopa;
- perda progressiva da qualidade de vida relacionada aos sintomas motores.
Nessas situações, avaliamos cuidadosamente se terapias como a Estimulação Cerebral Profunda (DBS), sistemas de infusão contínua de medicamentos ou outras modalidades avançadas podem proporcionar benefícios adicionais.
Nem todos os pacientes precisam de cirurgia
Assim como nem todos os pacientes necessitam de terapias avançadas, nem todos são candidatos a esses procedimentos.
A indicação depende de uma avaliação criteriosa que considera diversos fatores, entre eles:
- confirmação do diagnóstico de doença de Parkinson;
- resposta prévia à levodopa;
- estado cognitivo;
- presença de doenças psiquiátricas;
- condições clínicas gerais;
- idade biológica e funcional;
- objetivos e expectativas do paciente.
Na nossa experiência, uma boa indicação é tão importante quanto uma boa técnica cirúrgica. Escolher corretamente o momento da intervenção é um dos fatores que mais influenciam os resultados em longo prazo.
O tratamento evolui junto com a doença
A doença de Parkinson é dinâmica e, por isso, o tratamento também precisa ser.
Ao longo do acompanhamento, revisamos continuamente as necessidades de cada paciente, ajustando medicamentos, introduzindo novas terapias de reabilitação e, quando necessário, discutindo tratamentos avançados.
Nosso objetivo não é apenas controlar sintomas isolados, mas preservar autonomia, segurança, funcionalidade e qualidade de vida durante todas as fases da doença.
Saiba mais
Para conhecer em detalhes cada modalidade terapêutica, acesse também:
- Tratamento da Doença de Parkinson
- Cirurgia para Doença de Parkinson (Estimulação Cerebral Profunda – DBS)
Mais de 25 anos de experiência em terapias avançadas para Parkinson
O Dr. Erich Fonoff dedica sua carreira ao tratamento clínico e cirúrgico dos distúrbios do movimento, sendo uma das principais referências brasileiras em Estimulação Cerebral Profunda (DBS). Ao longo de mais de duas décadas, participou da avaliação e do acompanhamento de aproximadamente 10 mil pacientes com doença de Parkinson, contribuindo para definir o momento ideal de indicação das diferentes modalidades terapêuticas e para individualizar o tratamento de casos complexos
Dúvidas frequentes que escuto no consultório
Ao longo de mais de 25 anos dedicados aos distúrbios do movimento, algumas dúvidas surgem repetidamente durante as consultas. A seguir, respondo às perguntas mais frequentes feitas por pacientes e familiares.
Todo tremor significa doença de Parkinson?
Não. Esta talvez seja a dúvida mais comum que recebo no consultório.
Embora o tremor seja um dos sintomas mais conhecidos da doença de Parkinson, existem diversas outras causas de tremor, como o tremor essencial, distonias, alterações da tireoide, efeitos de medicamentos, ansiedade e outras doenças neurológicas.
Da mesma forma, muitos pacientes com doença de Parkinson apresentam inicialmente lentidão dos movimentos, rigidez ou alterações da marcha, sem qualquer tremor evidente.
Por isso, o diagnóstico nunca deve ser baseado apenas na presença ou ausência de tremor.
A doença de Parkinson sempre evolui rapidamente?
Não.
A velocidade de progressão varia bastante entre os pacientes.
Na nossa experiência, existem pessoas que mantêm excelente qualidade de vida durante muitos anos com tratamento adequado, enquanto outras apresentam evolução mais acelerada.
Diversos fatores influenciam essa evolução, incluindo idade, características da doença, resposta ao tratamento e presença de outras condições clínicas.
Atualmente, com diagnóstico precoce, acompanhamento especializado e tratamentos modernos, muitos pacientes conseguem preservar sua independência por longos períodos.
Exercícios físicos realmente ajudam?
Sim. Hoje sabemos que a atividade física faz parte do tratamento da doença de Parkinson.
Diversos estudos demonstram que exercícios regulares podem melhorar mobilidade, equilíbrio, força muscular, condicionamento físico e qualidade de vida.
Na prática clínica, observamos que pacientes que mantêm programas regulares de atividade física costumam apresentar melhor desempenho funcional e maior autonomia nas atividades do dia a dia.
Naturalmente, o tipo e a intensidade dos exercícios devem ser individualizados para cada paciente.
A cirurgia cura a doença?
Não.
A Estimulação Cerebral Profunda (DBS) não elimina a doença nem interrompe sua progressão.
Seu objetivo é controlar determinados sintomas motores e reduzir complicações relacionadas ao tratamento medicamentoso, permitindo melhora significativa da qualidade de vida em pacientes cuidadosamente selecionados.
Ao longo dos anos, acompanhamos inúmeros pacientes que retomaram atividades profissionais, sociais e familiares após a cirurgia. Entretanto, o sucesso depende da indicação correta, da técnica cirúrgica e do acompanhamento especializado após o implante.
Quando devo procurar um especialista?
Sempre que surgirem sintomas persistentes como tremor, lentidão dos movimentos, rigidez muscular, alterações da marcha ou dificuldades de equilíbrio.
Também é recomendável procurar avaliação especializada quando existir dúvida sobre o diagnóstico, dificuldade para controlar os sintomas, efeitos colaterais importantes dos medicamentos ou quando houver necessidade de discutir terapias avançadas, como a Estimulação Cerebral Profunda.
Em nossa experiência, uma avaliação precoce frequentemente permite esclarecer o diagnóstico mais rapidamente e iniciar o tratamento no momento adequado.
Quando devo considerar uma segunda opinião?
Uma segunda avaliação especializada pode ser particularmente útil quando:
- o diagnóstico permanece incerto;
- os sintomas evoluem de forma incomum;
- os medicamentos deixaram de apresentar o efeito esperado;
- foi sugerida cirurgia e o paciente deseja compreender melhor as opções disponíveis;
- existe suspeita de outro tipo de parkinsonismo.
Na prática, muitos pacientes chegam ao consultório após terem recebido diagnósticos diferentes ao longo dos anos. Uma avaliação detalhada frequentemente permite esclarecer essas dúvidas e definir a melhor estratégia terapêutica.
Erros comuns sobre a Doença de Parkinson
Ao longo de milhares de consultas, percebemos que alguns conceitos equivocados continuam sendo muito frequentes. Corrigir essas informações é uma etapa importante do tratamento.
Achar que todo tremor é doença de Parkinson
Esse é, sem dúvida, o equívoco mais comum.
Existem inúmeras causas de tremor e somente uma avaliação especializada permite identificar corretamente sua origem.
Acreditar que quem não tem tremor não pode ter Parkinson
Embora o tremor seja bastante conhecido, muitos pacientes apresentam inicialmente lentidão dos movimentos, rigidez ou alterações da marcha.
A ausência de tremor não exclui o diagnóstico da doença.
Pensar que a cirurgia é o último recurso
Esse conceito mudou bastante nos últimos anos.
Hoje sabemos que pacientes selecionados podem obter melhores resultados quando a cirurgia é indicada no momento adequado, e não apenas em fases muito avançadas da doença.
A decisão depende das características individuais de cada paciente e deve ser tomada por uma equipe experiente em distúrbios do movimento.
Esperar muitos anos para procurar um especialista
É relativamente comum que os primeiros sintomas sejam atribuídos ao envelhecimento, problemas ortopédicos ou estresse.
Quanto mais cedo ocorre a avaliação especializada, maiores são as possibilidades de estabelecer um diagnóstico preciso e iniciar um tratamento adequado.
Interromper os medicamentos por conta própria
Alguns pacientes suspendem a medicação quando percebem melhora dos sintomas ou após lerem informações na internet.
Essa decisão pode provocar piora importante do quadro clínico e, em algumas situações, complicações potencialmente graves.
Qualquer ajuste deve ser realizado apenas com orientação médica.
Acreditar que somente idosos desenvolvem a doença
Embora seja mais frequente após os 60 anos, a doença de Parkinson também pode acometer adultos jovens.
Entre 5% e 10% dos pacientes apresentam início dos sintomas antes dos 50 anos, sendo que alguns casos estão relacionados a alterações genéticas.
Imaginar que o diagnóstico depende apenas de exames
Uma ressonância magnética normal não exclui doença de Parkinson.
O diagnóstico continua sendo essencialmente clínico e depende da integração entre história, exame neurológico, evolução dos sintomas e, quando necessário, exames complementares.
Pensar que todos os pacientes evoluem da mesma forma
Cada pessoa apresenta uma forma própria da doença.
Ao longo de mais de duas décadas acompanhando pacientes com Parkinson, observamos que velocidade de progressão, resposta aos medicamentos, necessidade de cirurgia e impacto na qualidade de vida variam significativamente entre os indivíduos.
Por isso, o tratamento deve ser sempre personalizado.
Avanços tecnológicos no tratamento da Doença de Parkinson
A tecnologia melhorando diretamente a qualidade de vida
Nas últimas duas décadas, o tratamento da doença de Parkinson evoluiu de forma extraordinária. Se antes as opções se restringiam principalmente aos medicamentos e, em casos selecionados, à cirurgia, hoje dispomos de tecnologias capazes de tornar o tratamento cada vez mais personalizado, preciso e eficaz.
Na prática clínica, observamos que essas inovações têm permitido oferecer melhor controle dos sintomas, reduzir complicações e preservar a qualidade de vida por períodos cada vez mais longos. Além disso, diversas pesquisas em andamento apontam para uma nova geração de terapias que poderão modificar a história natural da doença nas próximas décadas.
1. Adaptive DBS (aDBS) Estimulação Cerebral Profunda Inteligente
A Estimulação Cerebral Profunda (Deep Brain Stimulation – DBS) representa uma das maiores conquistas da neurologia moderna no tratamento da doença de Parkinson. Entretanto, a tecnologia continua evoluindo rapidamente.
Os sistemas mais recentes deixaram de ser apenas “marcapassos cerebrais”. Atualmente, eles são capazes de registrar continuamente a atividade elétrica do cérebro e utilizar essas informações para ajustar automaticamente a estimulação conforme a necessidade de cada paciente.
Esse conceito é conhecido como Adaptive DBS (aDBS) ou DBS adaptativa.
Em vez de fornecer estimulação contínua durante todo o dia, o equipamento monitora sinais elétricos cerebrais relacionados aos sintomas da doença — especialmente as chamadas oscilações beta — e aumenta ou reduz a intensidade da estimulação apenas quando necessário.
Na prática, isso significa um tratamento muito mais personalizado.
Entre as principais vantagens observadas estão:
- controle mais preciso dos sintomas motores;
- redução das flutuações motoras (“períodos OFF”);
- diminuição das discinesias;
- menor consumo da bateria do neuroestimulador;
- necessidade reduzida de reprogramações;
- maior possibilidade de personalização do tratamento ao longo da evolução da doença.
Além disso, o registro contínuo da atividade cerebral permite compreender melhor como o cérebro responde ao tratamento e abre caminho para futuras aplicações de inteligência artificial na programação automática dos dispositivos.
Na nossa experiência, essa evolução representa uma das mudanças mais importantes desde a introdução da DBS há mais de 30 anos.
2. Foslevodopa (levodopa subcutânea) – Bombas de infusão contínua de medicamentos
Um dos principais desafios do tratamento medicamentoso é manter níveis estáveis de dopamina no cérebro.
Quando a levodopa é administrada apenas por comprimidos, sua absorção pode variar ao longo do dia devido ao esvaziamento gástrico, alimentação e progressão da própria doença. Como consequência, muitos pacientes passam a apresentar períodos em que os medicamentos deixam de fazer efeito (“OFF”) alternados com momentos de movimentos involuntários (discinesias).
As novas bombas de infusão contínua foram desenvolvidas justamente para minimizar esse problema.
Esses dispositivos administram continuamente medicamentos como levodopa ou apomorfina durante várias horas do dia, mantendo concentrações muito mais estáveis do medicamento no organismo.
Os benefícios costumam incluir:
- redução significativa do tempo em OFF;
- menor ocorrência de discinesias;
- melhora da mobilidade ao longo do dia;
- maior previsibilidade da resposta aos medicamentos;
- melhora da qualidade de vida.
Hoje, essas terapias representam uma importante alternativa para pacientes que ainda não necessitam de cirurgia ou que não apresentam indicação para Estimulação Cerebral Profunda.
3. Ultrassom Focalizado Guiado por Ressonância Magnética
Outra tecnologia relativamente recente é o Ultrassom Focalizado Guiado por Ressonância Magnética (MR-guided Focused Ultrasound).
Ao contrário da cirurgia convencional, essa técnica permite tratar determinadas regiões profundas do cérebro sem realizar incisões ou abrir o crânio.
Centenas de feixes de ultrassom atravessam o crânio simultaneamente e concentram sua energia em um pequeno alvo cerebral, produzindo uma lesão extremamente precisa enquanto o paciente permanece acordado e é monitorado por ressonância magnética.
Atualmente, essa tecnologia é utilizada principalmente para pacientes com:
- tremor predominante;
- tremor resistente aos medicamentos;
- alguns casos selecionados de doença de Parkinson.
Embora ainda existam limitações, principalmente em relação ao tratamento bilateral, novas pesquisas buscam ampliar suas indicações e explorar aplicações como a abertura temporária da barreira hematoencefálica para facilitar a administração de medicamentos diretamente no cérebro.
4. Terapia Celular (Células-tronco)
Uma das áreas mais promissoras da pesquisa atual é a terapia celular.
O objetivo dessa estratégia é substituir os neurônios produtores de dopamina que foram perdidos durante a evolução da doença.
Para isso, pesquisadores utilizam células-tronco capazes de serem transformadas em novos neurônios dopaminérgicos e implantadas diretamente em regiões específicas do cérebro.
Os primeiros estudos clínicos demonstraram resultados bastante promissores quanto à segurança do procedimento e à sobrevivência dessas células após o transplante.
Embora ainda seja considerada uma terapia experimental, muitos especialistas acreditam que ela poderá representar uma das maiores mudanças no tratamento da doença de Parkinson nas próximas décadas.
5. Terapia Gênica e Medicina Personalizada
Os avanços da genética também estão transformando nossa compreensão da doença de Parkinson.
Hoje sabemos que diferentes alterações genéticas podem estar associadas ao desenvolvimento da doença, como variantes nos genes LRRK2, GBA1, PRKN, PINK1 e SNCA.
Diversos estudos internacionais investigam terapias capazes de atuar especificamente sobre essas alterações genéticas, inaugurando a chamada medicina personalizada, na qual o tratamento poderá ser adaptado às características biológicas de cada paciente.
Embora essas terapias ainda estejam em desenvolvimento, elas representam uma das áreas mais promissoras da neurologia moderna.
6. Biomarcadores para diagnóstico precoce
Outra grande revolução em andamento é o desenvolvimento de biomarcadores capazes de identificar a doença antes mesmo do aparecimento dos sintomas motores.
Atualmente, diversos centros de pesquisa investigam testes baseados principalmente na detecção da proteína alfa-sinucleína, considerada um dos principais marcadores biológicos da doença.
Esses exames poderão permitir diagnósticos mais precoces, seleção de pacientes para pesquisas clínicas e, futuramente, o início de tratamentos em fases muito iniciais da doença.
7. Inteligência Artificial e monitorização digital
Nos últimos anos, sensores corporais, relógios inteligentes e algoritmos de inteligência artificial passaram a integrar o acompanhamento de pacientes com doença de Parkinson.
Essas tecnologias conseguem monitorar continuamente aspectos como:
- intensidade do tremor;
- velocidade da marcha;
- episódios de congelamento da marcha (freezing);
- quedas;
- discinesias;
- nível de atividade física.
Na prática, isso permite compreender como o paciente evolui durante seu dia a dia, e não apenas durante alguns minutos da consulta médica.
Além disso, a integração desses dados com sistemas de DBS adaptativa poderá tornar o tratamento progressivamente mais automatizado e personalizado.
O futuro do tratamento da Doença de Parkinson
Ao longo dos últimos anos, testemunhamos uma transformação sem precedentes no tratamento da doença de Parkinson. Tecnologias que há pouco tempo pareciam experimentais hoje fazem parte da prática clínica, enquanto outras se aproximam rapidamente da aplicação em pacientes.
Na nossa experiência, o maior avanço não está apenas no desenvolvimento de novas tecnologias, mas na possibilidade de escolher a terapia certa para o paciente certo, no momento mais adequado da doença.
Essa tendência aponta para uma medicina cada vez mais personalizada, baseada na integração entre experiência clínica, genética, biomarcadores, inteligência artificial e terapias avançadas, com o objetivo de preservar a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes por períodos cada vez mais longos.
Considerando o perfil acadêmico e a atuação do Dr. Erich Fonoff em neurocirurgia funcional e pesquisa, eu criaria uma seção específica intitulada “Tecnologias que estão transformando o tratamento da Doença de Parkinson”. Nela, além de apresentar essas inovações em linguagem acessível, seria possível destacar a experiência do Instituto Parkinson Hoje com DBS de última geração, genética aplicada ao Parkinson, pesquisa clínica internacional e seleção criteriosa de terapias avançadas, reforçando a imagem do centro como referência em inovação e medicina de precisão.
Liderança internacional em Estimulação Cerebral Profunda (DBS)
A Estimulação Cerebral Profunda (Deep Brain Stimulation – DBS) representa uma das maiores revoluções no tratamento da doença de Parkinson nas últimas três décadas. Entretanto, sua evolução não ocorreu apenas pelo desenvolvimento de novos equipamentos, mas também pelo aprimoramento contínuo das técnicas cirúrgicas, da seleção dos pacientes, da programação dos dispositivos e da compreensão dos efeitos da estimulação sobre diferentes circuitos cerebrais.
Ao longo de mais de 25 anos dedicados à Neurocirurgia Funcional, o Dr. Erich Fonoff participou ativamente dessa evolução científica.
Em 2012, apresentou sua Tese de Livre-Docência pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), intitulada:
“Efeitos da Estimulação Cerebral Profunda Bilateral em sintomas motores e não motores da Doença de Parkinson avançada.”
Esse trabalho contribuiu para ampliar o entendimento dos efeitos da DBS muito além do controle do tremor, da rigidez e da lentidão dos movimentos. Os estudos demonstraram que a estimulação cerebral profunda também pode produzir benefícios importantes em sintomas frequentemente negligenciados, como:
- dor relacionada à doença de Parkinson;
- ansiedade;
- depressão;
- alterações do olfato;
- distúrbios da marcha e do equilíbrio;
- aspectos cognitivos selecionados;
- qualidade de vida.
Na época, muitos desses efeitos ainda eram pouco descritos na literatura internacional e abriram novas perspectivas sobre o impacto da neuromodulação nos diferentes circuitos motores, límbicos e cognitivos do cérebro.
Pesquisa que acompanha a evolução mundial da DBS
Desde então, o Dr. Erich Fonoff passou a integrar e liderar pesquisas multicêntricas internacionais voltadas ao aperfeiçoamento da Estimulação Cerebral Profunda, colaborando com alguns dos principais grupos mundiais dedicados à Neuromodulação e aos Distúrbios do Movimento.
Esses estudos abrangem temas como:
- novas técnicas de implantação dos eletrodos;
- otimização da programação da DBS;
- novos alvos cerebrais;
- efeitos da estimulação sobre sintomas motores e não motores;
- mecanismos neurofisiológicos da neuromodulação;
- conectividade cerebral;
- qualidade de vida;
- biomarcadores para programação personalizada.
Essa produção científica resultou em publicações em periódicos internacionais de elevado impacto, entre eles:
- Brain
- Movement Disorders
- Brain Stimulation
- Parkinsonism & Related Disorders
- Biomedicines
- International Journal of Molecular Sciences
- Frontiers in Neurology
- Pain
- eNeuro
- World Neurosurgery
Da pesquisa para o cuidado do paciente
Na nossa experiência, a tecnologia, por si só, não garante os melhores resultados.
O benefício da Estimulação Cerebral Profunda depende de um conjunto de fatores que inclui a correta seleção dos pacientes, o planejamento cirúrgico, a precisão do implante dos eletrodos, a programação personalizada do neuroestimulador e o acompanhamento contínuo ao longo dos anos.
Por isso, o Instituto Parkinson Hoje incorpora continuamente os avanços científicos desenvolvidos pelos principais centros internacionais, oferecendo aos seus pacientes acesso às estratégias terapêuticas mais modernas disponíveis atualmente.
Mais do que utilizar equipamentos de última geração, nosso objetivo é aplicar o conhecimento científico acumulado ao longo de décadas de pesquisa para individualizar cada tratamento e maximizar seus resultados.
Uma trajetória dedicada à inovação
Ao longo dos últimos anos, o Dr. Erich Fonoff vem contribuindo para a evolução internacional da Estimulação Cerebral Profunda por meio de estudos publicados em alguns dos principais periódicos científicos da área, incluindo:
- Parkinsonism & Related Disorders (2023)
- Biomedicines (2023)
- International Journal of Molecular Sciences (2022)
- Frontiers in Neurology (2021)
- Brain Stimulation (2020)
- Brain (2019)
- Movement Disorders (2019)
- Journal of Motor Behavior (2019)
- World Neurosurgery (2018)
- eNeuro (2017)
- Pain (2016)
Essa produção científica acompanha a evolução das técnicas modernas de neuromodulação e permite que os pacientes do Instituto Parkinson Hoje tenham acesso a um tratamento alinhado às evidências mais atuais da medicina internacional.
Como este conteúdo foi produzido
Este conteúdo foi elaborado e revisado com o objetivo de oferecer informações confiáveis, atualizadas e acessíveis para pacientes, familiares e profissionais de saúde interessados na doença de Parkinson.
Seu desenvolvimento baseia-se na integração de diferentes fontes de conhecimento:
- Experiência clínica do Dr. Erich Fonoff, adquirida ao longo de mais de 25 anos dedicados ao diagnóstico e tratamento dos distúrbios do movimento, com acompanhamento de aproximadamente 10 mil pacientes com doença de Parkinson, tremor, distonia e outras doenças neurológicas.
- Atuação em Neurocirurgia Funcional e Estimulação Cerebral Profunda (DBS), incluindo experiência em todas as etapas do tratamento, desde a seleção criteriosa dos pacientes até o planejamento cirúrgico, implantação dos eletrodos, programação dos dispositivos e seguimento em longo prazo.
- Pesquisa científica nacional e internacional, com participação em estudos multicêntricos sobre doença de Parkinson, genética, neuromodulação e novas tecnologias terapêuticas, publicados em alguns dos principais periódicos científicos da área.
- Literatura científica internacional atualizada, priorizando revisões sistemáticas, consensos internacionais e estudos clínicos de maior impacto publicados nos últimos anos.
- Diretrizes internacionais elaboradas por sociedades científicas reconhecidas, como a Movement Disorder Society (MDS), a American Academy of Neurology (AAN), a European Academy of Neurology (EAN) e outras organizações dedicadas ao estudo dos distúrbios do movimento.
- Atualização permanente, incorporando evidências recentes relacionadas ao diagnóstico, genética, biomarcadores, terapias medicamentosas, Estimulação Cerebral Profunda (DBS), terapias de infusão contínua, ultrassom focalizado, inteligência artificial e medicina personalizada.
Nosso compromisso é oferecer informações baseadas em evidências científicas, sempre complementadas pela experiência clínica acumulada no cuidado diário de pacientes com doença de Parkinson. Entretanto, este material tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui uma consulta médica individualizada, durante a qual cada caso deve ser avaliado de forma completa e personalizada.
Referências bibliográficas
Diretrizes internacionais e revisões
- Bloem BR, Okun MS, Klein C. Parkinson’s disease. Lancet. 2021;397(10291):2284-2303.
- Postuma RB, Berg D, Stern M, et al. MDS clinical diagnostic criteria for Parkinson’s disease. Mov Disord. 2015;30(12):1591-1601.
- Armstrong MJ, Okun MS. Diagnosis and treatment of Parkinson disease: A review. JAMA. 2020;323(6):548-560.
- Cardoso F, et al. A Statement of the MDS on Biological Definition, Staging, and Classification of Parkinson’s Disease. Mov Disord. 2024;39:259-266.
Epidemiologia
- Su D, Cui Y, He C, et al. Projections for prevalence of Parkinson’s disease and its driving factors in 195 countries and territories to 2050: modelling study of Global Burden of Disease Study 2021. BMJ. 2025;388:e080952.
- Li M, et al. Global burden of Parkinson’s disease from 1990 to 2021: findings from the Global Burden of Disease Study 2021.
- Luo Y, et al. Global burden of Parkinson’s disease: findings from the Global Burden of Disease Study 2021.
Genética
- Blauwendraat C, Nalls MA, Singleton AB. The genetic architecture of Parkinson’s disease. Lancet Neurol. 2020;19:170-178.
- Berg D, Borghammer P, Fereshtehnejad SM, et al. Prodromal Parkinson disease subtypes — key considerations. Nat Rev Neurol. 2021;17:349-361.
Estimulação Cerebral Profunda e terapias avançadas
- Okun MS. Deep-Brain Stimulation for Parkinson’s Disease. N Engl J Med. 2012;367:1529-1538.
- EUROPAR and the IPMDS Non-Motor PD Study Group. Beneficial nonmotor effects of subthalamic and pallidal neurostimulation in Parkinson’s disease. Brain Stimul. 2020;13(6):1697-1705. doi:10.1016/j.brs.2020.09.019.
- EUROPAR and the International Parkinson and Movement Disorders Society Non-Motor PD Study Group. EuroInf 2: Subthalamic stimulation, apomorphine, and levodopa infusion in Parkinson’s disease. Mov Disord. 2019;34(3):353-365. doi:10.1002/mds.27626.
- Nijhuis FAP, et al. Translating Evidence to Advanced Parkinson’s Disease Patients: Practical Clinical Recommendations for Device-Aided Therapies. Mov Disord. 2021.
Principais publicações do Dr. Erich Fonoff relacionadas à DBS e Doença de Parkinson
- Fonoff ET. Efeitos da estimulação cerebral profunda bilateral em sintomas motores e não motores da Doença de Parkinson avançada. Tese de Livre-Docência. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; 2012.
- Ganoza CA, Westenberger A, Paul JJ, Curado F, Rennecke J, Mannepalli S, Zonic E, Saravanakumar D, Paknia O, Al-Ali R, Laabs BH, Csoti I, Valzania F, Vandenberghe W, Reetz K, Afshari M, Hassin-Baer S, Fonoff ET, Gruber D, de Rosa A, Musacchio T, de Carvalho Aguiar P, Negrotti A, Tumas V, Gomez-Esteban JC, Gurevich T, Pavese N, Kulisevsky J, Sammler E, Klein C, Bauer P, Beetz C. Pathogenic or Likely Pathogenic GRN Variants Are Found in 0.1% of Parkinson’s Disease Patients. Mov Disord. 2026;41(4):1020-1027. doi:10.1002/mds.70161.
- Westenberger A, Skrahina V, Usnich T, Beetz C, Vollstedt EJ, Laabs BH, Paul JJ, Curado F, … Fonoff ET … Zittel S, Klein C, Bauer P. Relevance of genetic testing in the gene-targeted trial era: the Rostock Parkinson’s disease study. Brain. 2024;147(8):2652-2667. doi:10.1093/brain/awae188.
- Ghilardi MGS, Campos ACP, Cury RG, Martinez RCR, Pagano RL, Fonoff ET. Efficacy of deep brain stimulation of the subthalamic nucleus versus globus pallidus internus on sensory complaints. NPJ Parkinsons Dis. 2024;10(1):73. doi:10.1038/s41531-024-00689-z.
- Jost ST, Konitsioti A, Loehrer PA, Ashkan K, Rizos A, Sauerbier A, Dos Santos Ghilardi MG, et al.; EUROPAR and the International Parkinson and Movement Disorders Society Non-Motor Parkinson’s Disease Study Group, Fonoff ET. Non-motor effects of deep brain stimulation in Parkinson’s disease motor subtypes. Parkinsonism Relat Disord. 2023;109:105318. doi:10.1016/j.parkreldis.2023.105318.
- Coutinho AM, Ghilardi MG, Campos ACP, Etchebehere E, Fonoff FC, Cury RG, Pagano RL, Martinez RCR, Fonoff ET. Does TRODAT-1 SPECT Uptake Correlate with Cerebrospinal Fluid α-Synuclein Levels in Mid-Stage Parkinson’s Disease? Biomedicines. 2023;11(2):296. doi:10.3390/biomedicines11020296.
- Pinheiro Campos AC, Martinez RCR, Auada AVV, Lebrun I, Fonoff ET, Hamani C, Pagano RL. Effect of Subthalamic Stimulation and Electrode Implantation in the Striatal Microenvironment in a Parkinson’s Disease Rat Model. Int J Mol Sci. 2022;23(20):12116. doi:10.3390/ijms232012116.
- Sui Y, Tian Y, Ko WKD, Wang Z, Jia F, Horn A, De Ridder D, Choi KS, Bari AA, Wang S, Hamani C, Baker KB, Machado AG, Aziz TZ, Fonoff ET, Kühn AA, Bergman H, Sanger T, Liu H, Haber SN, Li L. Deep Brain Stimulation Initiative: Toward Innovative Technology, New Disease Indications, and Approaches to Current and Future Clinical Challenges in Neuromodulation Therapy. Front Neurol. 2021;11:597451. doi:10.3389/fneur.2020.597451.
- Dafsari HS, Dos Santos Ghilardi MG, Visser-Vandewalle V, Rizos A, Ashkan K, Silverdale M, Evans J, Martinez RCR, Cury RG, Jost ST, Barbe MT, Fink GR, Antonini A, Ray-Chaudhuri K, Martinez-Martin P, Fonoff ET, Timmermann L. Beneficial nonmotor effects of subthalamic and pallidal neurostimulation in Parkinson’s disease. Brain Stimul. 2020;13(6):1697-1705. doi:10.1016/j.brs.2020.09.019.
- Cury RG, Teixeira MJ, Galhardoni R, Silva V, Iglesio R, França C, Arnaut D, Fonoff ET, Barbosa ER, Ciampi de Andrade D. Connectivity Patterns of Subthalamic Stimulation Influence Pain Outcomes in Parkinson’s Disease. Front Neurol. 2020;11:9. doi:10.3389/fneur.2020.00009.
- Alho EJL, Alho ATDL, Horn A, Martin MDGM, Edlow BL, Fischl B, Nagy J, Fonoff ET, Hamani C, Heinsen H. The Ansa Subthalamica: A Neglected Fiber Tract. Mov Disord. 2020;35(1):75-80. doi:10.1002/mds.27901.
- Petry-Schmelzer JN, Krause M, Dembek TA, Horn A, Evans J, Ashkan K, Rizos A, Silverdale M, Schumacher W, Sack C, Loehrer PA, Fink GR, Fonoff ET, Martinez-Martin P, Antonini A, Barbe MT, Visser-Vandewalle V, Ray-Chaudhuri K, Timmermann L, Dafsari HS. Non-motor outcomes depend on location of neurostimulation in Parkinson’s disease. Brain. 2019;142(11):3592-3604. doi:10.1093/brain/awz285.
- Fonoff ET, de Lima-Pardini AC, Coelho DB, Monaco BA, Machado B, Pinto de Souza C, Dos Santos Ghilardi MG, Hamani C. Spinal Cord Stimulation for Freezing of Gait: From Bench to Bedside. Front Neurol. 2019;10:905. doi:10.3389/fneur.2019.00905.
- Casagrande SCB, Cury RG, Alho EJL, Fonoff ET. Deep brain stimulation in Tourette’s syndrome: evidence to date. Neuropsychiatr Dis Treat. 2019;15:1061-1075. doi:10.2147/NDT.S139368.
- Campos ACP, Berzuino MB, Hernandes MS, Fonoff ET, Pagano RL. Monoaminergic regulation of nociceptive circuitry in a Parkinson’s disease rat model. Exp Neurol. 2019;318:12-21. doi:10.1016/j.expneurol.2019.04.015.
- Dafsari HS, Martinez-Martin P, Rizos A, Trost M, Dos Santos Ghilardi MG, Reddy P, Sauerbier A, Petry-Schmelzer JN, Kramberger M, Borgemeester RWK, Barbe MT, Ashkan K, Silverdale M, Evans J, Odin P, Fonoff ET, Fink GR, Henriksen T, Ebersbach G, Pirtošek Z, Visser-Vandewalle V, Antonini A, Timmermann L, Ray Chaudhuri K. EuroInf 2: Subthalamic stimulation, apomorphine, and levodopa infusion in Parkinson’s disease. Mov Disord. 2019;34(3):353-365. doi:10.1002/mds.27626.
- de Lima-Pardini AC, Coelho DB, Souza CP, Souza CO, Ghilardi MGDS, Garcia T, Voos M, Milosevic M, Hamani C, Teixeira LA, Fonoff ET. Effects of spinal cord stimulation on postural control in Parkinson’s disease patients with freezing of gait. eLife. 2018;7:e37727. doi:10.7554/eLife.37727.
- Souza CO, Voos MC, Barbosa AF, Chen J, Francato DCV, Milosevic M, Popovic M, Fonoff ET, Chien HF, Barbosa ER. Relationship Between Posturography, Clinical Balance and Executive Function in Parkinson’s Disease. J Mot Behav. 2019;51(2):212-221. doi:10.1080/00222895.2018.1458279.
- Cury RG, Carvalho MJ, Lasteros FJL, Dias AE, Dos Santos Ghilardi MG, Paiva ARB, Coutinho AM, Buchpiguel CA, Teixeira MJ, Barbosa ER, Fonoff ET. Effects of Subthalamic Stimulation on Olfactory Function in Parkinson Disease. World Neurosurg. 2018;114:e559-e564. doi:10.1016/j.wneu.2018.03.033.
- Dos Santos Ghilardi MG, Ibarra M, Alho EJL, Reis PR, Lopez Contreras WO, Hamani C, Fonoff ET. Double-target DBS for essential tremor: 8-contact lead for cZI and Vim aligned in the same trajectory. Neurology. 2018;90(10):476-478. doi:10.1212/WNL.0000000000005076.
- Hamani C, Florence G, Heinsen H, Plantinga BR, Temel Y, Uludag K, Alho E, Teixeira MJ, Amaro E, Fonoff ET. Subthalamic Nucleus Deep Brain Stimulation: Basic Concepts and Novel Perspectives. eNeuro. 2017;4(5):ENEURO.0140-17.2017. doi:10.1523/ENEURO.0140-17.2017.
- Spindola B, Leite MA, Orsini M, Fonoff ET, Landeiro JA, Pessoa BL. Ablative surgery for Parkinson’s disease: Is there still a role for pallidotomy in the deep brain stimulation era? Clin Neurol Neurosurg. 2017;158:33-39. doi:10.1016/j.clineuro.2017.04.018.
- Noffs G, de Campos Duprat A, Zarzur AP, Cury RG, Cataldo BO, Fonoff ET. Effect of Levodopa + Carbidopa on the Laryngeal Electromyographic Pattern in Parkinson Disease. J Voice. 2017;31(3):383.e19-383.e23. doi:10.1016/j.jvoice.2016.09.001.
- de Oliveira Souza C, de Lima-Pardini AC, Coelho DB, Brant Machado R, Alho EJL, Di Lorenzo Alho AT, Teixeira LA, Teixeira MJ, Barbosa ER, Fonoff ET. Pedunculopontine DBS improves balance in progressive supranuclear palsy: Instrumental analysis. Clin Neurophysiol. 2016;127(11):3470-3471. doi:10.1016/j.clinph.2016.09.006.
- Cury RG, Galhardoni R, Teixeira MJ, Dos Santos Ghilardi MG, Silva V, Myczkowski ML, Marcolin MA, Barbosa ER, Fonoff ET, Ciampi de Andrade D. Subthalamic deep brain stimulation modulates conscious perception of sensory function in Parkinson’s disease. Pain. 2016;157(12):2758-2765. doi:10.1097/j.pain.0000000000000697.
- Fonoff ET, Azevedo A, Angelos JS, Martinez RC, Navarro J, Reis PR, Sepulveda ME, Cury RG, Ghilardi MG, Teixeira MJ, Lopez WO. Simultaneous bilateral stereotactic procedure for deep brain stimulation implants: a significant step for reducing operation time. J Neurosurg. 2016;125(1):85-89. doi:10.3171/2015.7.JNS151026.
Sobre o Dr. Erich Fonoff
O Dr. Erich Fonoff é médico neurocirurgião, professor, pesquisador e um dos principais especialistas brasileiros em neurocirurgia funcional e reconhecido internacionalmente. Sua atuação clínica tem ênfase nas áreas de tratamento de dor, doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento. É professor livre-docente do departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP. Atuou como médico neurocirurgião na equipe do Hospital das Clínicas da FMUSP e coordenou o Laboratório de Neuromodulação de Dor Experimental do Hospital Sírio-Libanês. Ele é diretor do Instituto Parkinson Hoje, e responsável pela criação do canal Parkinson Hoje, da comunidade online que reúne informações, dicas e materiais educacionais para todos aqueles que convivem com a doença de Parkinson. Parkinson Hoje e este site tem caráter exclusivo de esclarecimento e educação à sociedade e é produzido de acordo com a resolução CFM Nº 1.974/2011.


