Estimulação Cerebral Profunda

Estimulação Cerebral Profunda

A cirurgia de estimulação cerebral profunda (conhecida como deep brain stimulation ou DBS em inglês), é um dos tratamentos invasivos mais eficientes para o Parkinson. Na maioria dos casos, a cirurgia é excelente para controlar os sintomas da doença. Mas, apesar de ser muito segura, a DBS ainda é uma intervenção complexa. No Brasil, há poucos cirurgiões habilitados a executá-la. O Dr. Erich Fonoff, um dos maiores especialistas no assunto no país, é um dos responsáveis pelo aprimoramento da técnica que resultou em menos horas de cirurgia e mais conforto para o paciente.

Embora a estimulação cerebral profunda não cure nem impeça a progressão da doença, ela é poderosa no controle dos sintomas motores e, consequentemente, consegue devolver ao parkinsoniano autonomia, independência e qualidade de vida. Muitos pacientes relatam que ‘nasceram de novo’ após o procedimento. Conheça, a seguir, o que é a estimulação cerebral profunda, como funciona o procedimento e os principais benefícios da cirurgia. Para saber mais sobre a cirurgia de estimulação cerebral profunda e ler depoimentos de pacientes que já passaram pelo procedimento clique e visite o nosso site dedicado à Cirurgia de Parkinson.


O que é a estimulação cerebral profunda?

O tratamento consiste em uma estimulação elétrica em diversas regiões do cérebro, por anos sem interrupção. A corrente elétrica utilizada é muito pequena – feita em pontos estratégicos do cérebro, que são, na sua maioria, profundos.

O procedimento consiste em implantar eletrodos, fios especiais de material metálico muito fino, em pontos específicos do tálamo, da região subtalâmica, do globo pálido entre outras. Os eletrodos são conectados a um neuroestimulador, conhecido também como marca-passo. Ele é uma espécie de microchip, do tamanho de uma caixa de fósforos, e tem sua bateria acoplada. Este, em geral, é implantado no peito ou na região abdominal. Todo o sistema fica debaixo da pele. Nenhuma parte é exposta ou visível. Quando o sistema é ligado, a estimulação elétrica modifica o funcionamento dos neurônios à sua volta, aliviando os sintomas da doença, como tremores, movimentos involuntários e rigidez.


A cirurgia de estimulação cerebral profunda é feita em uma única etapa?

O procedimento era realizado em cada lado do cérebro separadamente, isto é, em duas cirurgias distintas ou em procedimentos sequenciais. O método foi aperfeiçoado pelo dr. Erich Fonoff e equipe e, hoje, os implantes são feitos dos dois lados do cérebro simultaneamente. Com isso, o tempo de cirurgia e o custo foram reduzidos. Por outro lado, a segurança do procedimento aumentou. Esta evolução da técnica foi apresentada e premiada nos principais congressos nos Estados Unidos e na Europa elevando o nome da neurocirurgia brasileira no exterior.


Quais são os benefícios da estimulação cerebral profunda?

Com a cirurgia, sintomas motores e alguns não motores da doença de Parkinson são quase totalmente controlados. O tremor, a rigidez, a lentidão dos movimentos e os movimentos involuntários melhoram bastante. O efeito das medicações também é potencializado. Assim, os pacientes que fazem a cirurgia de estimulação cerebral profunda têm uma redução, em média, de 50% das medicações. Com isso, conseguem diminuir os efeitos colaterais que surgem após o uso prolongado da levodopa, a principal medicação no tratamento do Parkinson. Em menor grau, o equilíbrio, a marcha e a fala também são beneficiados. Consequentemente, o paciente fica mais ativo, pratica atividade física e realiza terapias de reabilitação, o que aumenta de modo importante o bem-estar e a qualidade de vida.


Quem pode fazer a cirurgia de estimulação cerebral profunda?

A maioria dos pacientes de Parkinson pode fazer a cirurgia, porém nem todos necessitam dela. É importante que seja feita uma triagem pelo especialista para ver quem realmente se beneficia do procedimento. Há um período na vida do parkinsoniano em que ele responde melhor ao procedimento cirúrgico. Este período normalmente se inicia cinco anos após os primeiros sintomas e, nele, o paciente já apresenta dificuldades com a medicação. Ou seja, o efeito dos remédios usados é muito curto e induz movimentos involuntários, chamados de discinesias. Este quadro leva o paciente a associar diversas medicações e exige numerosas doses ao longo do dia. Porém, a medicação não surte o efeito como no início da doença. Este é o ponto da doença em que a cirurgia é mais indicada.


Como o paciente é avaliado para saber se é um bom candidato à cirurgia de estimulação cerebral profunda?

Antes de se submeter ao procedimento, o parkinsoniano passa por uma série de avaliações para averiguar qual será o benefício do procedimento no seu caso. Veja quais são:

Avaliação com teste de levodopa
O paciente fica algumas horas sem a medicação e o diagnóstico de Parkinson é verificado. O neurologista avalia o histórico e pontua os sintomas motores. Em seguida, o paciente recebe uma dose de levodopa e espera o efeito, que normalmente se observa no dia a dia. Neste ponto, sob o efeito da medicação, os sintomas são novamente avaliados. Este processo mostra como o paciente responde à medicação e como os sintomas são controlados.

Avaliação cognitiva e de sintomas neuropsiquiátricos
Com o paciente medicado, a neuropsicóloga avalia diversos pontos da cognição e testa atenção, memória, visualização do espaço, cálculos simples, impulsividade, praxia (memória e desenvoltura em atos simples), raciocínio e flexibilidade mental. Esta avaliação não necessariamente descarta a cirurgia. Afinal, a maioria dos pacientes tem pequenas dificuldades em uma ou outra função. Também são pesquisados sintomas de alteração do humor, como ansiedade e depressão, mudanças no sono e efeitos colaterais da medicação. Os pacientes, em geral, não relatam estes sintomas espontaneamente. Mas é importante que a equipe saiba, caso a cirurgia aconteça.

Ressonância magnética e consulta com neurocirurgião
O paciente é submetido a uma ressonância magnética para descartar alterações anatômicas. Esta imagem é analisada pelo neurocirurgião e utilizada no momento da programação computadorizada da cirurgia. Neste momento, o médico também esclarece todas as dúvidas do paciente e seus familiares.O neurocirurgião também avalia os testes citados acima, como a resposta a levodopa e a avaliação neuropsicológica e neuropsiquiátrica. Todo este processo é indispensável para indicar, contraindicar ou propor a resolução de eventuais situações que possam temporariamente contraindicar a cirurgia.


Quais são os riscos da cirurgia de estimulação cerebral profunda?

A cirurgia de estimulação cerebral profunda não machuca nem destrói células no cérebro. Há, porém, dois riscos que merecem atenção. O primeiro é de infecção, risco que está presente em qualquer cirurgia. Hoje, porém, ele é pequeno, abaixo de 2% em hospitais de excelência em São Paulo, mas variável em outros centros onde se realiza a DBS. A infeção, quando ocorre não traz risco de vida. Na maioria dos casos, é resolvido com o uso de antibióticos e, quando necessário, com a remoção do sistema. O outro risco – ainda menor que o de infecção – é de um sangramento cerebral. Na maioria dos casos, ele é assintomático, detectado apenas nos exames pós-operatórios. Graças às técnicas cada vez mais modernas usadas no procedimento, este risco é pequeno, em torno de 1%.


Quanto tempo dura a bateria do sistema de estimulação cerebral profunda?

Há diversos tipos de sistemas no mercado e a tendência, com o progresso na tecnologia, é este número aumentar.
Em geral, os sistemas não-recarregáveis têm a duração entre 3 e 5 anos. Em alguns pacientes, a estimulação é mantida com intensidade baixa e, assim, a bateria dura mais. Outros pacientes já precisam de programações mais complexas. Nestes casos, a bateria dura menos. Os sistemas não-recarregáveis são mais cômodos para o paciente, pois não há a necessidade de recarregar a bateria semanalmente.

Já os recarregáveis duram de 9 a 25 anos. E, este sistema exige uma ou duas recargas semanais. O procedimento é simples. Um aparelho externo, do tamanho de um telefone celular, é plugado à tomada e recarregado. Com a carga completa, o paciente deve posicioná-lo sobre a pele e, por indução magnética, o aparelho implantado se recarrega. Este processo dura de 1 a 3 horas.

É importante que o paciente conheça os tipos disponíveis e as vantagens e desvantagens de cada um. No entanto, é o cirurgião quem sugere o tipo de sistema adequado a cada paciente.


Para saber mais sobre a cirurgia de estimulação cerebral profunda e ler depoimentos de pacientes que já passaram pelo procedimento clique e visite o nosso site dedicado à Cirurgia de Parkinson.

Atualizado em 26/08/2017